O vencedor do segundo prêmio do concurso de relato breve do CEB fala sobre o seu trabalho, do conto de sua autoria e sobre literatura brasileira.

Faz poco tempo, foi publicado o resultado da 5ª edição do concurso de relato breve do CEB, “Cuéntame un cuento”. O concurso contou com a colaboração do Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz e teve como tema a Ciência no Brasil.

O conto vencedor do segundo prêmio foi “Caralâmpia”, de Filipi Silva de Oliveira (Filipi Gradim), um relato comovedor sobre o trabalho de uma mulher que revolucionou a psiquiatria no Brasil entre os anos 1950 e 1960, Nise da Silveira. A história fala da importância do afeto e das pequenas coisas, assim como, às vezes, sair da norma estabelecida pode ser um ato de justiça e compaixão…

“Caralâmpia” será publicado em formato eletrônico, junto com o texto vencedor e os 10 finalistas, pela Ediciones Universidad de Salamanca. Enquanto isso, em BioBrasil, apresentamos Filipi Gradim.

Filipi é carioca, doutor em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, além de ator e escritor. Já publicou textos em várias antologias, algumas em espanhol como El hombre creó a Dios, publicada no Chile e A música que me faz. A partir desta última obra, centrou-se na redação de relatos breves e, em 2020, publicou em três antologias. Além disso, como pesquisador na área de filosofia, é autor do capítulo “Arqueologia do samba enquanto arqueologia do poder”, no livro Sambo logo penso: afroperspectivas filosóficas para pensar o samba (2015).

O autor também participou no livro Filosofia e (an)danças (2017), com artigos que analisam o conceito de “movimento” em diversos filósofos. Filipi também  colabora com uma coluna sobre arte e cultura no jornal carioca Diário do Rio.

No segundo bloco da entrevista Filipi Gradim fala sobre literatura brasileira em geral. O escritor conta que um dos pilares da sua formação como leitor e escritor foi Jorge Amado, que ele define como um autêntico gigante das letras. Na infância, devorou seus romances considerados para adultos. De fato, só foi ler Capitães de Areia já mais velho, quando muitas vezes este é o livro para iniciar-se na obra de Jorge Amado.

Como ator, recomenda a leitura de Nelson Rodrigues e, claro, os clássicos como Machado de Assis e poetas como Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Manuel Bandeira, Cecilia Meireles e Vinicius de Moraes. A conexão con esses autores é ainda mais intensa, não porque acredita que a poesia é a forma mais perfeita de literatura, mas também porque com sua companhia teatral desenvolveu um projeto para levar aos palcos muitos poemas de grandes autores do século XX. 

Para Filipi, a literatura brasileira é sinônimo de potência, no sentido de possibilidade de ação, de fonte de movimento, e que reflete muito bem o próprio Brasil: um país criativo, onde as pessoas vivem improvisando, que tem um idiomas mestiço, uma mistura do tupí, do iorubá e do português, com muitas variações regionais que o enriquecem. Por isso, não é possível um panorama único da literatura brasileira – o mais correto seria falar em “panoramas” – em muitos cenários diferentes entre si nos quais encontramos diferentes manifestações.

Sobre a sua participação no concurso do CEB, conta que conheceu o edital através de um portal de concursos literários, e que lhe chamou atenção por ser um concurso internacional. Segundo, a temática: a Ciência no Brasil, que foi definitivo para querer participar. A literatura é arte e, portanto, liberdade absoluta enquanto a ciência é medição e cálculo, seguindo uns esquemas específicos. E misturar as duas coisas, para ele era maravilhoso, demonstrar que a Ciência também tem algo de arte, inspiração e criação. 

A escolha do tema sobre Nise da Silveira como protagonista do conto foi fácil: a doutora é um verdadeiro ícone para Filipi, uma grande referência sobre quem ele já havia estudado e pesquisado anteriormente. Para Filipi foi uma grande satisfação trazer Nise para o universo da ficção. Partiendo de fatos reais, de informações em suas entrevistas e de outros meios, e sem perder de vista que tinha por diante uma ficção, escreveu “Caralâmpia” e o resto, como se diz, já é uma outra história.

No final da entrevista, Filipi Gradim conta sobre seus projetos do presente e do futuro. Alguns de seus trabalhos serão em breve publicados em antologias e um livro, seu despertar como escritor, compartilhado somente com o amigo Felipe Pires Oliveira. O livro se intitula O ceu da terra, uma coletânea com 13 contos que falam de sexo, amor e morte como fio condutor de todas as histórias. Para terminar, conta que está saindo para o final do ano um livro de ensaios filosóficos Ensaios e devires: considerações sobre arte, e uma coletânea de relatos breves Soundbook, inspirados em fragmentos de canções brasileiras.

Para conhecer mais sobre Filipi, acompanha-lhe em suas redes sociais.

Música no programa

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