Neste podcast, apresentamos o grupo Engenheiros do Hawaii, uma banda formada na cidade de Porto Alegre (Rio Grande do Sul, Brasil) no início de 1985, e que esteve ativa até abril de 2008, quando anunciaram uma “pausa” por tempo indeterminado. Ao longo desses anos, o grupo foi liderado pelo multi-instrumentista Humberto Gessinger, a única constante nas diversas formações da banda. Com mais de 20 discos lançados, entre álbuns de estúdio, ao vivo, coletâneas e vídeos, os Engenheiros do Hawaii são uma das bandas essenciais para conhecer o rock brasileiro dos anos 1980.
O início
No final de 1984, quatro estudantes de arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, Brasil), Humberto Gessinger, Carlos Stein, Marcelo Pitz e Carlos Maltz, decidiram formar uma banda para se apresentar no festival organizado pela faculdade em protesto contra a paralisação das aulas. O nome, Engenheiros do Hawaii, era uma forma de zombar dos estudantes de engenharia, com quem tinham certa rivalidade e que sempre usavam bermudas de surfista.
O primeiro álbum da banda, Longe Demais das Capitais, foi lançado em 1986 com um estilo pop muito próximo ao de bandas como The Police ou Paralamas do Sucesso, que logo evoluiu para o rock progressivo em seus trabalhos seguintes.
Revolta dos Dândis inaugura uma trilogia, com discos em que se repetem temas gráficos e musicais, arranjos que evocam o rock mais puro dos anos 60 e letras críticas, cheias de alusões literárias a filósofos como Albert Camus e Jean-Paul Sartre.
Humberto Gessiger Trio e a volta dos Engenheiros
Após muitas idas e vindas, mudanças na composição da banda e uma turnê internacional pelos Estados Unidos e Japão, os Engenheiros inauguram os anos 90 muito longe do sucesso de outrora.
Gessinger, que já havia feito algumas incursões solo, funda uma nova banda, feita à sua medida (Humberto Gessinger Trio), com a qual volta às origens dos Engenheiros e a um som básico de bateria, baixo e guitarra, sem artifícios ou pretensões. No entanto, para os produtores de eventos nacionais, era mais fácil anunciar no cartaz os Engenheiros, um grupo conhecido em todo o Brasil, do que um trio que acabava de surgir, então Gessinger acabou cedendo e voltou a se identificar como Engenheiro.
Com Lucio Dorfmann nos teclados, e um som novamente próximo ao pop, aparecem os discos Minuano, de 1997, e Tchau Radar!, em 1999. Este último marca a entrada dos Engenheiros na Universal Music Group, deixando entrever a maturidade alcançada pelos membros do grupo, com influências claras do folk rock e do rock and roll dos anos 1960, mas também do rock progressivo e da omnipresente MPB.
Da turnê do disco Tchau Radar surgiu o terceiro álbum ao vivo da banda, 10.000 Destinos, com uma boa revisão do melhor do seu repertório e algumas canções inéditas gravadas em estúdio, incluindo uma versão de “Quando o Carnaval Chegar” de Chico Buarque.
Pouco depois de participar no Rock in Rio III em 2001, Lucio, Adal e Luciano deixaram a banda para fundar Massa Crítica. Os Engenheiros tiveram que se reestruturar mais uma vez, agora com Paulinho Galvão na guitarra, Bernardo Fonseca no baixo e Glaucio Ayala na bateria. Gessinger voltou a tocar guitarra, depois de 14 anos como baixista do grupo.
Em 2003, lançaram o álbum Dançando no Campo Minado, com músicas curtas, guitarras pesadas e a poesia crítica de Gessinger denunciando os males da globalização, da desilusão política e ideológica, e da guerra.
O início do fim
Em 2004, os Engenheiros do Hawaii lançaram o CD e DVD Acústico MTV. O disco contou com a participação especial de Humberto Barros e Fernando Aranha, além de intervenções especiais como a de Clara Gessinger, filha de Humberto, que canta com seu pai na música “Pose”.
Em 2007, lançaram outro acústico: Novos Horizontes, gravado em maio de 2007 e lançado no mesmo mês de agosto, com nove faixas inéditas e nove versões. Ao final da turnê acústica, iniciada em 23 de julho de 2004, a banda interrompeu “temporariamente” suas atividades. Até hoje.