O samba da minha terra: Samba pa’ ti

Podcast da emissão dedicada ao disco “Samba pa’ ti”, que reúne versões em espanhol de sucessos brasileiros.
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Capa do disco. Fonte: Arquivo pessoal.

Esta entrega da coluna “O samba da minha terra” está dedicada ao disco Samba pa’ ti, uma obra coletiva, gravado em 2004 e lançado em março de 2005. O disco contou com a produção de Luis Miguel Fernández, Fernando Illán e Julio Palacios.

É verdade que outros artistas espanhóis já haviam gravado antes composições brasileiras, por exemplo, Julio Iglesias, que nos anos 1980 já havia gravado pelo menos dois discos com composições originais em português… Porém esse disco Samba pa ti é especial, porque celebra a música brasileira aqui na Espanha.

Na época do lançamento do disco, a imagem que o Brasil projetava no exterior era muito diferente da atual: era o momento quando o país entrava no cenário e nos fóruns internacionais como grande potência e, claro, se a cultura, e especialmente a música brasileira, já tinham boa recepção nos palcos internacionais, começava uma época, sem dúvida, dourada para a música brasileira no exterior.

E foi nesse contexto que saiu o Samba pa ti. O disco contou com o apoio da Embaixada do Brasil na Espanha e reuniu vários artistas espanhóis, de registros e estilos musicais diferentes para gravarem sucessos da música brasileira. Mas, apesar de um título que parece exaltar o samba, o disco reúne músicas de um estilo Bossa-nova, desde “Garota de Ipanema” (no disco intitulada “La chica de Ipanema”) até “Sozinho”, uma composição original de Peninha que virou hit no final dos anos 1990, no Brasil, na voz de Sandra de Sá e Caetano Veloso. No disco, a canção mantém o título e o idioma originais, sendo gravada por Alejandro Sanz.

No total são 18 músicas, praticamente 18 clássicos, que pretendem demonstrar a potência da música brasileira. Para a emissão do programa. Foram escolhidas três músicas, três versões muito bonitas, e que são as que mais se aproximam do nosso gênero estrela, o samba. A primeira delas é “Mañana de carnaval”, no original “Manhã de carnaval”, que é o maior sucesso de Luiz Bonfá e Antônio Maria, que foi gravada como trilha sonora do filme Orfeu negro, em 1959, uma coprodução França-Itália-Brasil, dirigida por Marcel Camus. A música foi uma das maiores representantes da recém-nascida Bossa-nova nos Estados Unidos, na década de 1960, e que acabou virando a música de divulgação do filme. A versão no programa foi gravada por Carmen París.

María del Carmen París Mondaray, nome completo, é uma cantora e compositora espanhola, natural de Tarragona, na Catalunha, representante de um estilo fusão entre a jota aragonesa, o jazz e o flamenco andaluz. O seu disco de estreia no cenário nacional foi Pa’ mi genio, de 2002, que recebeu muito boas críticas. Carmen París gravou em total quatro discos, o último de 2013, intitulado En síntesis, que como o nome diz, revisa os maiores sucessos dos seus três discos anteriores.

A segunda música que no programa é “Ven Magalenha”, uma composição original de Carlinhos Brown, de 2012, gravada por primeira vez no disco Mixturada Brasileira. Carlinhos Brown dispensa apresentações porque é um ícone da música popular brasileira. No disco Samba pa’ ti a canção recebe a voz de Antonio Martínez Ares, que é um músico e compositor natural de Cádiz, na Andaluzia, figura imprescindível nos carnavais de Cádiz. Talvez esta seja a versão mais estilo samba em todo disco.

Além dessas duas canções entram no disco as músicas: “La chica de Ipanema”, gravada pelo grupo Jarabe de Palo; “Yo sé que te amaré”, na inconfundível voz de Rosario; seguimos com “Samurai”, interpretada por David DeMaría; “Usted abuso”, na voz de Lolita; “Insensatez”, com Monica Naranjo; “Sozinho”, cantada em português por Alejandro Sanz; “Más que nada”, na voz de Lucrecia – que tocou nas radios aqui na Espanha até a exaustão -; “Hoy daría yo mi vida”, com Antonio Vega; “Una guitarra una canción”, com Presuntos implicados; “Oh qué será”, absolutamente linda na voz de Jorge Drexler; “Adió tristeza”, com Melendi; “Barquinho”, com Ana Belén; “Por qué? Llorar”, com pastora Soler; “Desde que o samba é samba”, outra em português, dessa vez na voz de Javier Álvarez; e para fechar o disco “Desafinado”, gravada entre muitos cantores em português e espanhol. É uma versão bem interessante!

A última canção no programa é a música “País tropical”, gravada pelo grupo Café Quijano. Essa música é uma composição original de Jorge Ben Jor, de 1969, e que foi gravada inicialmente por Wilson Simonal. É, sem dúvida, um dos maiores sucessos de Jorge Ben Jor, mas que também foi gravada por muitos outros cantores brasileiros, entre eles, Gal Costa.

Café Quijano é um grupo de rock espanhol, com origem em León, aqui da Comunidade Autônoma de Castilla y León. São três irmãos, Manuel, Óscar e Raúl, os três músicos, que começaram a carreira tocando no pub que o pai, igualmente músico, tem no centro da cidade. Dica de hoje: se tiver interesse em música espanhola, recomendo escutar Café Quijano. Não tem erro!

“O samba da minha terra” é uma coluna em português dedicada ao universo do samba, às suas histórias e protagonistas. A coluna é parte do programa Brasil es mucho más que samba, emitido todas as terças-feiras na Rádio Universidade de Salamanca, às 17h30 (hora local), na sintonia 89 FM local.

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