O samba da minha terra: Samba de moça só

Podcast do programa dedicado ao grupo “Samba de moça só”, uma formação composta somente por mulheres musicistas de Aracaju (Sergipe, Brasil).
Fonte: Facebook Samba de moça só

Nesta entrega de “O samba da minha terra” conversamos com Rayra Mayara e Claudia Araujo, duas integrantes do grupo de samba “Samba de moça só”. O grupo é uma formação de samba integrada somente por mulheres musicistas em Aracaju (Sergipe, Brasil). Segundo a apresentação, elas formam um grupo “cuja trajetória artística busca a difusão e a valorização do trabalho feito por mulheres que, através da memória do samba, se apresentam com liberdade e resistência, criando novas referências socioculturais para vivermos com mais igualdade”.

Samba de moça só” está formado por quatro musicistas: Rayra Mayara, no cavaquinho, que é natural de Aracaju, e começou na música ainda quando era criança, no Instituto Canarinhos de Sergipe, onde aprendeu violão. A baixista do grupo se chama Pétala Tâmisa, que estudou baixo elétrico no Conservatório de Música de Sergipe, além de ser graduanda em Música pela Universidade Federal de Sergipe (UFS, Brasil) é também produtora de Arte e Cultura. Na percussão está Gislene Souza, que começou na música também na infância, cantando em corais infantis, e a profissionalização veio com a sua entrada no grupo em 2011. Gislene estudou na Escola de Artes Valdice Teles, no Instituto Bateras Beat e, recentemente, se diplomou em Regência Musical. Porém, surpresa: Gislene também é professora de matemática! E fechando o quarteto temos Claudia Araújo, que é pandeirista, percussionista, compositora e cantora do grupo. Ela é natural do Recife (Pernambuco, Brasil), formada em Direito, e atualmente cursa licenciatura em Música pela Claretiano, além de estudar percussão, voz e violão com grandes nomes do cenário musical local e nacional.

A madrinha do Samba de moça só é a grande Leci Brandão, um dos nomes imprescindíveis entre as mulheres sambistas brasileiras. Samba de moça só atua nos carnavais, em eventos particulares, também já colaboraram com artistas como João Bosco e Jorge Aragão, entre outros. Ainda assim, destacamos a atuação do grupo na organização dos Encontros de Mulheres na roda de samba, a quarta edição celebrada em dezembro do ano passado em Aracaju.

O nome do grupo está inspirado no samba de roda “samba pras moças”, uma composição original de Roque Ferreira e Grazielle Ferreira, lançada por Zeca Pagodinho no disco homônimo, de 1995.

A formação inicial aconteceu em 2008, mas foi em 2011 quando o grupo fez sua estreia oficial. Segundo Claudia Araujo, elas se encontraram numa oficina de percussão em Aracaju e durante o encontro surgiu a ideia de formar um grupo de samba só com mulheres. De lá para cá, gravaram um EP “Samba de Moça só”, em 2013, e foram premiadas na categoria de melhor arranjo pela música “O corpo é meu” no Festival do Gama (Brasil) e foram finalistas no Festival Esquina de Minas Gerais (Brasil).

Na segunda parte da entrevista, falamos sobre as mulheres no samba. Sobre esse tema, ela compartilha com a gente uma reflexão muito interessante sobre o passado e o presente das mulheres no samba no Brasil, dizendo que as mulheres vêm conquistando espaços, mas ainda há muito caminho pela frente. E sendo um grupo de samba formado somente por mulheres, Claudia Araujo conta que são muitas as mulheres musicistas e intérpretes de samba que servem de inspiração para o grupo, entre elas, Leci Brandão, Elza Soares, que nos deixou no último 20 de janeiro, Clara Nunes, além de outras profissionais da música, como professoras, mestras, que com sua atividade incentivam um processo de aprendizagem diário com a música.

E fechando a entrevista, Claudia Araujo conta que durante esse período de pandemia, o grupo realizou lives e que agora, passado o período mais crítico da pandemia, o grupo retoma as atividades com apresentações em Aracaju, com eventos particulares, tocando composições autorais e interpretando outros títulos.

Para quem quiser conhecer mais sobre “Samba de moça só”, fica aqui a informação das redes sociais onde é possível conhecer o trabalho que o grupo desenvolve: Facebook, YouTube, Instagram: @sambademocaso, Soundcloud, Cifraclub, Palcomp3 e Letras.

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