O samba da minha terra, “Com ciência na cabeça e frevo no pé”.

Em colaboração com o Museu da Vida, apresentamos a troça carnavalesca pernambucana dedicada à divulgação científica.

Ainda que este mês de fevereiro tenha sido o menos carnavalesco que já vimos, mesmo assim pudemos desfrutar de boa música na Radio Universidad de Salamanca. Esta entrega se faz em colaboração com o Museu da Vida, museu de ciências da Fiocruz, dedicado à divulgação científica.

Quem vem acompanhando o programa, já sabe que esta coluna está dedicada às histórias do samba, seus protagonistas, o universo carnavalesco. E quem nos acompanha também sabe que ao longo desta temporada, começamos uma colaboração muito original com o Museu da Vida, para a emissão de uma série de programas com conteúdo sobre a ciência brasileira.

E de mão dadas com o Museu da Vida, hoje não falamos de samba, mas de carnaval. Todo mundo sabe que o carnaval brasileiro é rico em manifestações, e quase devemos falar em “carnavais brasileiros” diante de tamanha diversidade de expressões artísticas.

E por isso, o tema de hoje é frevo e ciência. Isso mesmo! Ciência dá samba e dá frevo também! Falamos sobre o carnaval de Pernambuco, um estado no Nordeste brasileiro, onde este gênero musical marca o compasso da folia. E de Pernambuco é o bloco “Com ciência na cabeça e o frevo no pé”. O carnaval de Pernambuco é conhecido pelos Bonecos de Olinda, uns bonecos enormes, que podem chegar a dois metros de altura e muito coloridos. Na verdade, muito parecidos com os cabezudos espanhóis.

Esta agrupação carnavalesca “Com ciência na cabeça e frevo no pé” é uma troça, ou seja, um grupo que toca frevo, marchinhas carnavalescas e outros ritmos do Brasil. A inspiração para a formação veio do desfile da escola de samba carioca Unidos da Tijuca, em 2004, que apresentava como samba enredo “O sonho da criação e a criação do sonho: a arte da ciência no tempo do impossível”.

E para contar um pouco sobre essa história, nossa amiga Melissa Cannabrava, jornalista do Museu da Vida, conversou com Antônio Carlos Pavão, diretor do Espaço Ciência de Pernambuco, e professor de Química da Universidade Federal de Pernambuco.

Na entrevista, Antonio Carlos Pavão conta que, dois anos depois do desfile da Unidos da Tijuca, o “Com ciência na cabeça e frevo no pé” se oficializou, em 22 de fevereiro de 2006, com o seu primeiro desfile no Recife Antigo. Mas, foi em 2005, que esta troça iniciou a sua formação, quando atuou no encerramento de um evento organizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Universidade Federal de Pernambuco, que celebrava o centenário da Teoria da Relatividade e o boneco protagonista não podia ser outro que Albert Einstein! 

E uma curiosidade, o nome “Com ciência na cabeça e o frevo no pé” foi eleito a partir de um concurso na internet com 30 sugestões de nomes, e mais de 200 votantes. 

A troça “Com ciência na cabeça e frevo no pé” atualmente está vinculado ao museu Espaço Ciência, onde além de tudo, os bonecos ficam em exposição para os visitantes, e conta com a parceria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e com as prefeituras de Recife e Olinda.

Muitos cientistas já foram homenageados e viraram bonecos gigantes: o cientista italiano Galileu Galilei; a física polonesa Marie Curie; o geógrafo brasileiro Milton Santos; o biólogo inglês Charles Darwin; entre outros! Os bonecos já viajaram o Brasil, visitando eventos científicos brasileiros, estiveram na conferência mundial do clima Rio+20. Apoiado pelas prefeituras, o “Com ciência na cabeça e o frevo no pé” também faz muito sucesso nas cidades do interior do estado, marcando presença com os bonecos gigantes em Garanhões, Belém de São Francisco e no Sertão de Pernambuco, onde o bloco é recebido com as bandas locais, arrastando multidões. 

Este programa contou com a produção e pesquisa das jornalistas do Museu da Vida, Renata Fontanetto e Melissa Cannabrava, responsável pela entrevista a Antônio Carlos Pavão.

E para quem quiser conhecer mais sobre o “Com ciência na cabeça e frevo no pé” e o museu de ciência Espaço Ciência, de Pernambuco, visite a página de Facebook  e também o instagram.

Músicas do programa:

“O samba da minha terra”, versão com os Novos baianos, gravada no disco Novos Baianos Futebol Clube, de 1973.

“Com ciência na cabeça e frevo no pé”, frevo troça para carnaval de 2006. Autoria de Ivan Vieira de Melo e José Amaro.

“Banho de cheiro”, na voz de Elba Ramalho, gravada no disco Coração brasileiro, de 1983.

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