BioBrasil: Entrevista com o escritor Gerson Lodi-Ribeiro I

Com este programa continuamos a série dedicada à literatura de ficção científica brasileira e conversamos com outro dos grandes nomes do gênero.

Há duas semanas falamos com Octavio Aragão, designer, professor universitário e uma das plumas mais interessantes da literatura fantástica brasileira. Nesta nova entrega, Gerson Lodi-Ribeiro é o nosso protagonista, e nos conta sobre o seu trabalho passado, presente e fututo, além de nos revelear um dos seus universos de ficção preferidos. Quer saber mais?

Primeiros passos

Gerson começou a escrever quanto tinha somente 15 anos, ainda que reconhece  que esses primeiros trabalhos não eram muito bons e que só teve coragem de mostrá-los as amigos mais intimos. Mais tarde, começou a colaborar com os fanzines brasileiros de ficção científica dos anos Oitenta, sobre os quais já falamos no programa dedicado à segunda onda, como o Boletim Antares, Somnium e Megalon.

O seu primeiro trabalho fora dessas revistas foi “Xenopsicólogos na Fase Crítica”, lançado na Antología Verde… verde, organizada por Sergio Fonseca Castro em 1989, e que em pouco tempo foi reeditada pela francesa Antarès, com o título de “Phase Verte”. Em 1993, publicou na edição nº 25 da Isaac Asimov Magazine a noveleta de história alternativa “A ética da traição”, ambientada num mundo onde o Brasil perdeu a Guerra da Tríplice Aliança, e o Paraguai tinha se transformado numa superpotência.

Este trabalho de Gerson, além de ser considerado por alguns especialistas como o primeiro em introduzir o subgênero da historia alternativa no Brasil, é quem mais publicou no exterior, existindo até uma versão em espanhol lançada na revista argentina Axxón, com o título  “La ética de la traición”.

Um mapa alternativo da América do Sul…

O nosso protagonista gosta muito desses futuros alternativos porque outra obra da qual comenta é o relato “O vampiro de Nova Holanda”, lançado pela primeira vez na antologia de homônima publicada pela Editora Caminho, em 1998, e que foi premiado com o Prêmio Nova 1996, na categoria de Melhor Ficção. A história está ambientada num linha histórica na qual a República de Palmares florece como nação independente, e onde há três brasis: um Brasil negro, representado por esta república, um Brasil holandês encarnado na colônia de Nova Holanda e o Brasil que todos conhecemos de ascendência portuguesa…

O mistério de Carla Cristina Pereira

O personagem mais incrível de Gerson Lodi-Ribeiro não é o protagonista de nenhum de seus relatos, mas sim o seu pseudônimo feminino Carla Cristina Pereira, que “nasceu” em 1995. Carla, uma mulher de biografia turbulenta, não só publicou cartas e ensaios em muitos fanzines, mas também escreveu contos reunidos em diversas antologias lançadas no Brasil e em Portugal. De fato, ganhou mais prêmios que seu alter ego de carne e osso, e até foi a primeira finalista de língua portuguesa nos Sidewise Awards. Alguns críticos que garantem que na época Carla escrevia melhor história alternativa que o próprio Gerson, que fez com que o nosso protagonista, com um pouco de ciúmes, terminasse “matando” o personagem.

Um dado interessante: Três Brasis é a linha de história alternativa na qual Gerson baseou mais relatos e que estão à disposição no livro Aventuras do Vampiro de Palmares, lançado pela editora Draco em 2014.

O fantástico universo de “Tramas de Ahapooka”

Finalmente, Gerson Lodi-Ribeiro nos confessa que o universo que ele mais gosta de trabalhar é o de Tramas de Ahapooka. Ambientado em um futuro remoto, Ahapooka é um planeta-zoológico que atrai naves espaciais humanas e alienígenas, as quais estão obrigadas a pousar, impidindo seus tripulantes de escapar. Ao longo de milh4oes de anos, os descendentes dessas tripulações naufragadas construíram culturas, algumas humanas, outras alienígenas e outras que ele denomina poliespecíficas… mestiças e miscigenada e fonte de conflito para as “puras”.

Gerson concebe este universo em sua adolescencia e a história foi crescendo até se transformar em uma trilogia que só foi posta sobre papel há 10 anos e que ainda está por publicar-se. Estão disponíveis, isso sim, alguns relatos ambientados nesse universo como o romance “A Filha do Predador”, contemplada com Prêmio Nautilus em 1999, e os romances A Guardiã da Memória e Octopusgarden, ambos publicados pela Draco e vencedoras do Prêmio Argos na categoria de melhor romance em 2012 e 2018, respectivamente.

Deixamos muitos temas reservados para a próxima semana, que estará novamente dedicada a Gerson Lodi – Ribeiro em Radio Universidad. Foi uma satisfação enorme contar com ele no programa. e já sabem, semana que vem, emitimos a segunda parte dessa entrevista. Onde? Aqui em BMQS.

Referências:

Redes sociais de Gerson Lodi-Ribeiro:

https://twitter.com/gersonlodi?lang=es

https://www.facebook.com/realglodir

Blog dedicado à História alternativa: https://cenarioshistoricosalternativosblog.wordpress.com/ Clube de leitores de ficção científica: https://www.clfc.com.br/

“Verde”, de Leia Pinheiro ¡Cómo no!

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