Na última quinta-feira, 4 de novembro, a Fundação Cultural Hispano Brasileira inaugurou no Pátio de Escolas Menores da Universidade de Salamanca a exposição fotográfica “Cafuné”, do fotógrafo espanhol Rafael Fabrés. A mostra é – na verdade – um completo projeto audiovisual que ilustra um conturbado período da história brasileira, particularmente do Río de Janeiro e seus moradores.
Em português, a palavra “cafuné” é o carinho que se faz ao passar os dedos pelo cabelo de outra pessoa. Este projeto, que começou como um livro e agora ganha forma física nesta exposição, é um gesto de carinho ao Rio de Janeiro. Com a pacificação das favelas como pano de fundo, a mostra mede a temperatura da Cidade Maravilhosa durante a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos, a visita do Papa e as manifestações de 2013. É certo que o trabalho registra um período fundamental da história do Brasil, o projeto é, ao mesmo tempo, íntimo e pessoal. O diário de um fotógrafo sobre a alegria e a tristeza de uma cidade intensa e desigual na mesma medida, como é o rio de Janeiro. Isso é exatamento o que nos conta Rafael, com quem tivemos a oportunidade de conversar durante a inauguração da exposição.






Ignacio Berdugo e Rafael Fabrés 





Com “Cafuné”, o artista tentou fugir dos tópicos, do clichê do gringo que vai fazer um trabalho documental sobre as favelas e que no final acaba se posicionando, diferenciando entre bons e maus. O autor quis demostrar que o Rio é muito mais do que a violência, sexo e carnaval, e para isso recorreu a um formato quase cinematográfico, no qual as imagens não só contam uma história, mas que implicam o expectador, lhe fazem refletir, mas sem conduzir a conclusões ou ideias pré-concebidas.
“Cafuné” é, assim, o fechamento preciso do seu trabalho no Brasil, uma reconciliação com uma cidade, o Rio de Janeiro, capaz de fagocitar quem não esteja preparado para assumir os seus desafios.
E para terminar, pedimos a Rafael Fabrés que resumisse a sua trajetória (pessoal e profissional). É um homem aventureiro, que não tem medo a mudar de país, de trabalho e de objetivo na vida e que agora atravessa uma fase mais serena e reflexiva. Em 2008, foi para a américa Latina e começou a realizar seus primeiros trabalhos fotográficos. Viveu dois anos no Haiti, trabalhando para Getty Images, e depois de uma breve estada no Afganistão, se mudou para o Brasil, com o objetivo de fotografar a pacificação das favelas do Rio. É foi o seu primeiro projeto de longo percurso, que lhe permitiu trabalhar com jornais e revistas de todo o mundo (TIME, The New York Times, Der Spiegel, El País Semanal, Paris Match, Le Monde, e um longo etc). Depois de cinco anos no Brasil e outros dois no México, em 2018 voltou a Espanha, disposto a amadurecer toda a experiência adquirida na década anterior.
A exposição, que conta com o apoio da Junta de Castilla y León, poderá ser visitada no Patio de Escuelas de la Universidad de Salamanca até 10 de dezembro, de terça-feira a sábado, no horário de 12h00 às 14h00 e de 17h30 às 20h30; domingos e feriados de 10h00 às 14h00.
Referências
Página de “Cafuné”: http://cafunebook.com/index.php
Web do autor: http://rafaelfabres.com/











