O samba da minha terra: Barbatuques

Uma entrevista com Tais Balieiro e Luciana Cestari, integrantes do grupo brasileiro de música corporal “Barbatuques”.

Entramos no mês do carnaval com o pé direito! Este podcast de “O samba da minha terra” traz uma entrevista com Tais Balieiro e Luciana Cestari, integrantes do grupo brasileiro de música corporal “Barbatuques”.

Barbatuques

O grupo “Barbatuques” é um grupo para ver e ouvir. Trata-se de um grupo de música corporal. Mas, o que é a música corporal? Continua lendo, que você vai descobrir! E para falar sobre música corporal e sobre o grupo “Barbatuques”, contamos com uma entrevista a Tais Balieiro e Luciana Cestari.

“Barbatuques” começou há mais de duas décadas, tendo a Fernando Barba – falecido em 2021 – como líder e principal compositor. Luciana Cestari conta que Fernando Barba começou “brincando com o próprio corpo e foi descobrindo ritmos, e chamando outras pessoas para brincar com ele”. E assim começou “Barbatuques”. Tais Balieiro conta que no início, a experimentação e o estudos eram uma marca bem forte no grupo:

Fernando Barba era um grande instrumentista, violonista, tocava vários instrumentos – e a partir dessa curiosidade, dessa pesquisa de Fernando Barba, somado a seus estudos formais de música, ele começa a ministrar cursos de percussão corporal orientados a músicos e ao público em geral, aos companheiros e companheiras que estavam com ele naquele momento da sua vida, como André Hosoi, que está no grupo até hoje, e Luciana Horta. Então, isso começou, primeiro como um jogo, e depois como algo didático, um grupo para estudar e aprender esta linguagem para depois, sim, ser um grupo artístico, com composições, arranjos, concertos, vídeos. Então, esse é o processo que formou o "Barbatuques".

Luciana Cestari conta que o primeiro concerto oficial foi em 1997, e de lá para acá, a formação do grupo mudou um pouco. Hoje, no grupo, são 13 integrantes, que compõem, cantam e fazem percussão corporal. O grupo trabalha principalmente com um repertório próprio, mas também com outros artistas. Já gravaram com Emicida, com Russo Passapusso (integrante de BaianaSystem, com quem gravaram a música “Natureza”), além do multi-instrumentista Hermeto Pascoal. E (para nossa surpresa e alegria), o grupo já gravou uma versão muito original de “Samba da minha terra”, de Dorival Caymmi.

Em total, “Barbatuques” gravou cinco discos: o primeiro é “Corpo do som”, de 2002; o segundo, “O seguinte é esse”, de 2005; o terceiro é “Tum pá”, que é um trabalho para as crianças, gravado em 2012; o quarto, “Ayú” (2016), e o quinto, que se chama “Só + 1 pouquinho”, de 2018. Gravaram também dois DVDs ao vivo, “Corpo do Som ao Vivo” (2007) e “Tum Pá ao Vivo” (2014).

“Barbatuques” já tocou na Europa, na América do Sul e América do Norte. Para Tais Balieiro, essas viagens marcaram uma diferença no grupo: no início o repertório se caracterizava por ritmos nacionais, para a música tradicional brasileira. Por exemplo, o disco “Corpo do som” representaria muito esta fase do grupo. E com as viagens, “Barbatuques” foi incluindo no seu trabalho referências estrangeiras como o flamenco, hip hop, gumboot dance etc. Para Balieiro, “isso foi alimentando o grupo de ideias, de influências que foram também transformando suas composições, a sua maneira de fazer música”.

Além das atividades próprias de um grupo musical, “Barbatuques” também oferece oficinas de formação em música e em percussão corporal on-line (começaram na pandemia, e como o formato deu certo, continuam). Essa é uma das apostas fortes do grupo, já que eles pensam a música corporal “como uma ferramenta de educação não só musical, mas educação e aprendizagem, algo que possa ajudar em qualquer tipo de aprendizagem” (Tais Balieiro).

Música corporal

E a pergunta que não quer calar: o que é música corporal? Para Tais Balieiro,

música corporal é algo que se faz desde sempre. O que ‘Barbatuques’ fez, especialmente, a partir do olhar de Fernando Barba, foi organizar os sons de uma determinada maneira. Então, organizar os distintos timbres do corpo a partir do conceito de bateria (...) para nós, a música corporal é uma ferramenta também de composição, porque somos um grupo que pensa a música a partir desta linguagem. Eu acho que o triunfo de ‘Barbatuques’ é realmente a composição, as ideias musicais e não só o fato de fazer percussão corporal.

Além disso, a música corporal pode ser ensinada sem muitos gastos econômicos e sem a necessidade de espaços especiais, “é algo muito democrático” (Tais Balieiro).

Desenvolvendo uma linguagem tão lúdica, a música corporal de “Barbatuques” conquistou um amplo público infantil e familiar. Porém, somente depois de alguns anos na estrada, foi que o grupo decidiu fazer um trabalho mais específico para as crianças.

E fomos pensando em jogos, pensando em formatos a partir do mundo e do imaginário infantil, desse trabalho surgiu o primeiro disco infantil, o ‘Tum pá’, que fez um sucesso enorme entre as crianças, com as famílias em geral, porque fala diretamente com este público. Depois de ‘Tum pá’, fizemos outro disco também para o público infantil, que se chama “Só + 1 pouquinho” um disco com canções que falam do cotidiano, da família, da escola, dos medos, do cachorro que é amigo das crianças, das negociações dos pais com os filhos no cotidiano da casa.

Projetos para 2023

E para este ano, podemos esperar mais novidades: o grupo está trabalhando na celebração dos 10 anos do primeiro disco infantil, “Tum pá”. Também vêm por aí mais oficinas de formação on-line, e um livro didático para professores e professoras para o ensino de percussão corporal nas escolas.

Gracias, gracias, Gracias

E como es de bien nacidos ser agradecidos, a Tais Balieiro e a Luciana Cestari, o nosso agradecimento pela entrevista. Fica aqui também o nosso agradecimento a Tatiana Pugliese, a produtora do grupo, ajuda imprescindível na realização deste programa.

Músicas no programa

“Samba da minha terra” (composição original de Dorival Caymmi), reinterpretação da versão gravada pelo “Novos Baianos”, gravada no disco “Novos Baianos F.C.” de 1973.

Release: Arranjo feito por André Magalhães e Maurício Maas, integrante do grupo:

A ideia foi tentar refazer este arranjo antológico, um samba com muitas pitadas de rock’n’roll (e vice-versa), utilizando pra isso muita percussão corporal com sonoridades e efeitos vocais.

“Entre amigos”, uma composição original de Leandro Medina (letra) e Renato Epstein (música), gravada em 2022, na voz de Lenine com “Barbatuques”. Release: Renato Epstein conta que

A música foi composta pela ocasião do falecimento do Barba, uma homenagem a ele. Tentei resgatar algumas coisas que o Barba gostava muito, como tocar guitarra e pife. Ele tinha um gosto musical que mesclava bastante a música brasileira, com música instrumental e o jazz, que ele também curtia bastante. Quis colocar o violão como parte do arranjo. O Barba era muito sútil, ele tinha a sutileza das pequenas notas. Então, a melodia da música é bastante sutil, uma melodia de poucas notas, até chegar ao refrão. É uma homenagem, um retorno ao Barba tocando entre amigos.

Para saber mais: Página web; YouTube; SpotifyFacebook e Instagram.

Foto: Barbatuques, Só + 1 pouquinho, por Tati Wexler, cedida pelo grupo.

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