BioBrasil: Oswaldo Cruz II

Uma nova entrega da biografia do médico e higienista Oswaldo Cruz, em colaboração com o Museu da Vida.

Apresentamos hoje uma nova colaboração com o Museu da Vida, museu e centro cultural de ciências da Fiocruz, uma das mais importantes instituições de pesquisa e saúde pública da América Latina. Retomamos o programa do ponto onde terminamos na semana passada, para continuar com a história do médico e higienista Oswaldo Cruz, mas antes de começar, agradecemos o inestimável trabalho realizado por Melissa Cannabrava e Renata Fontanetto, responsáveis pela documentação e informação, além de entrevistar a professora Ana Luce Girão, doutora em História da Ciência e pesquisadora da Casa Oswaldo Cruz. Recordamos da semana passada, que fechamos o programa fazendo um pequeno resumo sobre o início da carreira e biografia de Oswaldo Cruz: já havia casado, com 6 filhos e bem formado depois da temporada de pesquisa no Instituto Pasteur de Paris.  Chegamos a 1899, em Santos, o porto mais importante do estado de São Paulo. Oswaldo Cruz se desloca até a cidade para ajudar as autoridades locais a identificarem a enfermidade que estava causando estragos. Depois de cinco dias de intensa e detalhada pesquisa, Oswaldo confirma todas as suspeitas: tratava-se da peste bubônica. Para combatê-la, foi criado um laboratório especial no Instituto Bacteriológico de São Paulo, enquanto Oswaldo Cruz se ocupava de montar outro similar no Rio dentro do terreno de uma fazenda conhecida como Fazenda de Manguinhos, que seria o germe da Fundação Oswaldo Cruz. Em 1902, Oswaldo assume a direção deste novo instituto e três meses depois começa a dirigir a Direção Geral de Saúde Pública, equivalente ao atual Ministério da Saúde do Brasil. A sua ideia era construir na Fazenda de Manguinhos um palácio da ciência, equipado com a tecnologia mais avançada de princípios do século XX, que se transformaria em realidade depois de 13 anos de trabalho árduo, hoje conhecido como o Edifício Mourisco ou simplesmente o “Castelinho” para os mais íntimos.  Em 1904, a varíola colocou em xeque-mate a saúde pública do Rio de Janeiro. Diante da terrível situação, o nosso protagonista enviou um projeto ao Congresso Nacional para que se tratasse mais rigorosamente a obrigatoriedade da vacina contra a varíola, que já era lei desde 1837, mas que nunca havia sido cumprida. O projeto despertou um acalorado debate entre os detratores e os defensores da vacinação obrigatória. Entretanto, o governo começou a enviar brigadas sanitárias às casas para vacinar as pessoas à força, provocando um autêntico levantamento social. O caos chegou à cidade em forma de una revolta incontrolada e para complicar ainda mais as coisas foi ordenada a intervenção da polícia, que gerou uma autêntica batalha nas ruas cariocas, que resultou em vários mortos e numerosos feridos. Foi a Revolta da vacina. Com a declaração do estado de sítio no Rio em 17 de novembro de 1904, Rodrigues Alves revocou a lei de vacinação obrigatória, autorizando somente a imunização voluntária, chegando ao fim da revolta. Apesar de ter sido mantido no cargo e de contar com a total confiança do presidente, podemos dizer que Oswaldo Cruz perdeu a guerra contra a varíola. 

A revolta da vacina
Documentário: Oswaldo Cruz, o médico do Brasil (Proyecto Memória)
Atraente, de Chiquinha Gonzaga, interpretada por Maria Teresa Madeira





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