Na terça-feira, 20 de junho, a partir das 12h00, o CEB acolhe a conferência “No Xingu há mais de 100 anos, uma intensa experiência estética”, ministrada em português por Camila Vinhas Itavo.
O evento acontecerá de forma presencial no salão de atos do Palácio de Maldonado (Praça de San Benito, 1. Salamanca) e ao vivo através das redes sociais do CEB: Facebook e YouTube. A entrada é livre e gratuita até completar a lotação.
No Xingu há mais de 100 anos
Em fevereiro de 2011, Camila Vinhas Itavo viajou à aldeia de Kamayurá, no Parque Nacional do Xingu, localizado em Mato Grosso (Brasil), por convite do Pajé Takumã Kamayura, o mais antigo e reconhecido líder espiritual da região. Ela permaneceu na aldeia um pouco mais de um mês, hospedada na oca do Pajé, com a eletricidade proporcionada por um gerador de gasolina quase sempre quebrado.
Durante o período de permanência na aldeia, o Pajé Takumã contou a Camila Vinhas sobre o seu encontro com um dos presidentes do Brasil, Jânio Quadros, na época da criação do Parque Nacional, em 1961. Camila também pôde presenciar a preparação da mandioca para ser transformada em beiju, um tipo de pão sem fermento que, com o peixe, é o principal alimento dos indígenas. E, principalmente, experimentou em primeira pessoa a vida na aldeia, com toda sua liberdade e responsabilidade.
Camila documentou a sua viagem em vídeo e em fotografias, que foram exibidas numa exposição selecionada pelo programa de Residência Artística do CEB em 2021, na mostra “En Xingu hace más de 100 años“.
Partindo das imagens reunidas para a exposição, a autora se pergunta: a expressão fotográfica pode gerar uma “intensa experiência estética”? A imagem pode ir além do testemunho de uma forma de vida ameaçada pelo desmatamento e grandes hidrelétricas? É possível contribuir para o imaginário coletivo e, ainda mais importante, para a formação de cidadãos da atual “civilização da imagen”?
Sobre a conferencista

Camila Vinhas Itavo é fotógrafa e bailarina. Dotoranda e mestre em performances culturais na Universidade Federal de Goiás (UFG, Brasil); tem pós-graduação em Cinema e Processos Audiovisuais e bacharel em Comunicação Social e Jornalismo pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp, Brasil). Foi bailarina clássica durante quase 15 anos e tem formação em dança-teatro, dança contemporânea e Ideokinesis, entre outras técnicas de dança pós-moderna.
Em 2006, Camila Vinhas participou como atriz de um filme ao vivo intitulado “Super night shot” , obra do coletivo germano-britânico Gob squad, com o qual esteve gravando pelas ruas de várias cidades brasileiras até 2011.
Camila Vinhas também é autora, fotógrafa e diretora do curta O jornaleiro que preferiu o rádio (1995), premiado pelo Mapa Cultural Paulista (1999), do dança-cine Eu Rio (2005), da série audiovisual de dança Quanto mais contato melhor (2021) e do documentário Gesta do gesto (2022).
Conheça mais sobre o trabalho de Camila Vinhas Itavo em seu canal de YouTube e escute o podcast da entrevista que ela concedeu no programa BMQS.