No próximo 14 de junho, a partir das 20h30, o CEB oferece no Teatro Juan del Enzina a única exibição da peça El Brasil restituido, de Lope de Vega, com a direção cênica de Juan José Villanueva. A representação é um projeto da Companhia do Instituto de Teatro de Madrid (ITEM), realizada em colaboração com o Museu Nacional do Prado, o CEB, a Fundação Cultural Hispano-Brasileira e a Fundação Carlos de Amberes. As entradas estão disponíveis para compra (5 euros) neste link.
Baixe aqui a ficha artística da obra.
A companhia teatral do ITEM e o teatro de Salão de Reinos
A encenação de El Brasil restituido, de Lope de Vega, é parte do projeto “El teatro del Salón de Reinos”, coordenado pelo historiador Bernardo J. García García (ITEM-UCM). Nesse projeto, os professores do ITEM e os estudantes do Máster em Teatro e do Doutorado em Estudos Teatrais da Universidad Complutense de Madrid (UCM) encenam as obras que foram apresentadas no Salão de Reinos do Palácio do Bom Retiro para o ano das maravilhas de 1625.
Além do espetáculo de Lope que a companhia agora traz a Salamanca depois da sua passagem pelo Museu do Prado, encontramos as obras El sitio de Breda e El nuevo palacio del retiro, de Calderón de la Barca e El socorro de Cádiz, de Juan Pérez de Montalbán. Essas obras (e as ocasiões que celebram) foram plasmadas em quadros emblemáticos como La recuperación de Bahía de Todos los Santos, de Juan Bautista Maíno, La defensa de Cádiz contra los ingleses, de Zurbarán, e La rendición de Breda, de Velázquez.
Sobre o projeto cênico
Em 1º de maio de 1625, os exércitos espanhol e português repueram a praça brasileira de Salvador da Bahia, perdida um ano antes num ataque da marinha holandesa. O evento levou à encomenda por parte do Conde Duque de Olivares a Lope de Vega de uma comédia que narrasse a façanha, com o propósito de enaltecer as virtudes do reinado de Felipe IV.

O Brasil restituido ganha corpo dez anos depois, em formato de óleo sobre lenço. O artista, Juan Bautista Maíno, recebe a encomenda, uma vez mais, do Conde Duque de Olivares para pintar um quadro para a decoração do Salão de Reinos do Palácio do Bom Retiro. A confluência com a comédia não termina aí: o artista utiliza o texto de Lope como referência para a composição da pintura, que lembra uma apresentação teatral.
Em 2023, se aborda de novo El Brasil restituido, num projeto que pretende lançar todo o potencial cênico do texto de Lope a partir de um olhar contemporâneo, que aproxime aos cenários esta comédia quase inédita de um dos mestres do teatro espanhol. Um espetáculo interdisciplinar que desenvolve um diálogo plástico entre as artes cênicas e a obra de arte de Maíno.
Como o expectador pode sentir-se atraído hoje pelo por El Brasil restituido? Sem dúvida, por meio de uma recuperação da nossa memória coletiva. Lope nos oferece um fascinante estudo das fraquezas e contradições do ser humano que trascende o marco histórico da sua fábula: o medo ao outro, racismo, a cultura da violência, a humilhação da mulher considerada propriedade privada, o sem-sentido de toda guerra de pder em nome de um compromisso ideológico ou moral. É atribuída a Mark Twain a frase “a história não se repete, mas rima”. Nesse sentido, recuperar a nossa memória nos ajudará a compreender-nos como indivíduos do século XXI e, talvez, a decidir o que queremos ser.
Juan José Villanueva. Versão e direção cênica.