Exposicção: Tropicalismos. Psicodelia, vanguardia y canibalismo cultural en Brasil (1967 – 1970)

O Centro Internacional del Español acolhe uma exposição dedicada a um dos movimentos culturais mais inovadores do século XX no Brasil.

A Fundación Cultural Hispano Brasileña, com o apoio da Junta de Castilla y León, em colaboração com o CEB e o Servicio de Actividades Culturales da Universidad de Salamanca, inaugura a exposição «Tropicalismos. Psicodelia, vanguardia y canibalismo cultural en Brasil (1967 – 1970)», que poderá ser visitada na sala de exposições do Centro Internacional de Español (CIE, C/ Zamora, 32, Salamanca) até o dia 17 de maio de 2026, de segunda a sexta-feira, das 9h às 14h e das 16h às 20h.

Sobre a exposição

O tropicalismo, também conhecido como Tropicália, foi um movimento cultural que transformou profundamente a música popular e as artes visuais brasileiras entre 1967 e 1970. Embora sua influência se estenda até o presente, surgiu em um período conturbado, marcado pela ditadura da junta militar que governava o Brasil desde 1964.

Seus principais representantes foram os cantautores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das cantoras Maria Bethania, Gal Costa e Rita Lee, e o compositor Tom Zé, da banda Os Mutantes. Na Tropicália, convergem em um mesmo plano letras surrealistas, inspiradas nos jogos de linguagem da poesia concreta, com o samba, a bossa nova, ritmos africanos, psicodelia e experimentação sonora, evidente nos arranjos inovadores de músicos de vanguarda como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzela.

Mais do que um movimento musical, a Tropicália foi, sobretudo, um gesto de rebeldia, inspirado no Manifiesto Antropófago (1928), do poeta Oswaldo de Andrade, que propunha uma forma de “canibalismo cultural” capaz de devorar, de maneira criativa, elementos de culturas estrangeiras para construir uma identidade nacional própria, reflexo do encontro de culturas que caracteriza o Brasil há séculos.

Nesse contexto, o cinema — com Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Joaquim Pedro de Andrade —, o teatro — Zé Celso, Martinez Correa —, a poesia — Augusto de Campos, Rogério Duarte, Capinam e Torquato Neto— e as artes visuais — com a instalação Tropicália (1967), de Hélio Oiticica, que inspirou o nome do movimento — alinham-se à música em uma modernidade cosmopolita que, por si só, já representava uma oposição direta ao regime.

A exposição Tropicalismos, que integra o II Festival de Música Contemporánea y Arte Sonoro, [CON]TEMPO, dedicado ao Brasil em 2026, apresenta-se como um palimpsesto iconográfico no qual o inovador design gráfico dos discos mais emblemáticos do movimento se funde com a obra visual dos coletivos Largen & Bread e Assume Vivid Astrofocus, responsáveis por uma instalação audiovisual concebida especificamente para o espaço do CIE.

Para saber mais

Colóquio Internacional «Trip tropel tropicalista», realizado no Palacio de Maldonado em 21 de novembro de 2022. As sessões do colóquio estão disponíveis no canal de YouTube do CEB..

Para conhecer mais sobre Caetano Veloso, escute o podcast do programa #BMQS, com uma seleção musical do artista, e o episódio dedicado ao documentário «Narciso em férias» (Ricardo Calil, 2020), que tem Caetano Veloso como protagonista. O filme é inspirado no livro Verdade Tropical, obra autobiográfica publicada em 2020 pela Companhia das Letras. Também é possível escutar o podcast dedicado às melhores compositoras da MPB brasileira, volume II.

Díptico da exposição:

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Fecha y hora

17/05/2026 8:00 pm

Fecha de inicio

16/03/2026

Fecha de fin

17/05/2026

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