BioBrasil: Cinema infantil brasileiro. Quatro filmes para ver em família

Hoje falamos de cinema infantil: quatro filmes somente com uma coisa em comum, são adaptações da melhor literatura brasileira.

O primeiro filme que recomendamos é “Eu e meu guarda-chuva”, dirigido, em 2010, por Toni Vanzolini, e baseado no romance homônimo de Branco Mello e Hugo Possolo. No centro da história está Eugenio, interpretado por Lucas Cotrin, um menino de 11 anos que vive com sua mãe e sente saudades do falecido avô, que lhe deixou de herança um velho guarda-chuva. Eugênio está secretamente apaixonado por uma colega de turma, Frida, e seu melhor amigo é um menino desengonçado conhecido como Cebola. Na última noite antes da volta às aulas, o trio decide visitar a sua nova escola e ao entrar descobrem que o Barão von Staffen, fundador da instituição e sobre quem há mil lendas, escapou do quadro onde estava pintado e prende as crianças. Como Frida acaba entre as garras do Barão, Eugênio, com a ajuda do seu fiel guarda-chuva e o amigo Cebola, teve que salvar a menina e os demais colegas. “Eu e meu guarda-chuva” combina ação e aventura com personagens bem construídos e dirigidos. A mistura entre o tom sombrio com piadas fáceis e juvenis consegue satisfazer as crianças sem entediar os pais, o que agradecemos muito.

O próximo filme sobre o qual falaremos é um desenho animado, e está baseado no romance de Erico Veríssimo: “As aventuras do avião vermelho”. O livro é de 1936, um período especialmente complexo no Brasil, às portas da ditadura do Estado Novo, mas o filme, dirigido por Frederico Pinto e José Maia, lançado em dezembro de 2014, adapta as aventuras do protagonista aos dias de hoje, quando os computadores e videogames disputam a atenção infantil entre todos os tradicionais brinquedos. Todo gira ao redor de Fernandinho, um menino hiperativo, que vive com o pai viúvo e uma empregada doméstica, Josefina, que se ocupa da casa. O menino não tem amigos na escola e seus únicos companheiros são um boneco de madeira, chamado Chocolate e um ursinho de pelúcia. A relação com o pai é distante, quem tenta conquistar o filho com brinquedos, mas sempre sem sucesso, até que decide presenteá-lo com o livro que marcou sua infância “O capitão Tormenta”. Fernandinho se apaixona pelo livro, mas também se preocupa ao saber que o protagonista da história está preso na Rússia. Então, decide organizar uma expedição para salvar seu herói…

São raros os filmes que tratam a criança não necessariamente como um adulto, mas sim com algum grau de seriedade, abordando temas da vida real, como a morte. Essa é a proposta do filem sobre o qual falamos agora: “Corda bamba, história de uma menina equilibrista”, adaptação do livro homônimo de Lygia Bojunga Nunes. Maria, interpretada por Bia Goldenstein, se vê obrigada a abandonar o mundo do circo para viver com a avó. Caminhando sempre entre essa tênue linha que separa o cômico do trágico, “Corda bamba” acompanha a busca de Maria decidida a recuperar a memória perdida devido a um trauma passado. A corda bamba ganha, assim, tons metafóricos, convertendo-se em um caminho – sinuoso e difícil- para o inconsciente da protagonista, onde ela pode pulular entre portas que se abrem em um escuro corredor. Dirigido por Eduardo Goldenstein e lançado em 2013, este filme é uma boa opção para quem tem filhos já com uma certa idade, para quando os desenhos animados já não despertam tanto interesse.

E a nossa última recomendação, “O menino no espelho”, baseada na obra do prolífico escritor mineiro Fernando Sabino. O filme, dirigido pelo jovem diretor Guilherme Fiuza Zenha, se centra em um passado bucólico, quando as crianças crescem brincando na rua e não em seus quartos, colados à tela de um computador. A história é sobre Fernando, interpretado por Lino Facioli, um menino de 10 anos que vive na Belo Horizonte dos anos 1930, com o irmão mais novo e os pais. Como toda criança, prefere brincar com os amigos em vez de perder o tempo com coisas inúteis como a escola ou as tarefas domésticas. Cansado de não ter suficientes horas por dia, a solução ao seu problema se apresenta quando de repente seu reflexo ganha vida e abandona o espelho do seu quarto. Assim, Fernando aproveita seu dublê para dividir com ele seus afazeres e disfrutar do tempo livre para brincar. O filme conta com uma ótima direção de arte e cenografia, que usou a cidade mineira de Cataguases para recriar a Belo Horizonte do passado. É uma história sobre a inocência, não só do menino, mas do próprio mundo em que vivemos…

Trailer de “Eu e meu guarda-chuva”:

Trailer de “As aventuras do avião vermelho”:

Trailer de “Corda bamba”:

Trailer de “O menino no espelho”:

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