No próximo 25 de abril, às 12h00, o Centro de Estudos Brasileiros inaugura a exposição “Retrato de barro” do fotógrafo brasileiro Lucas Bois, o segundo projeto selecionado no programa de Residência Artística de Fotografia 2017.
Em 5 de novembro de 2015 ocorreu a maior tragédia ambiental da história do Brasil. Uma barragem de rejeitos de mineração da empresa Samarco (Vale/BHP Billiton) rompeu e um imenso mar de lama alcançou às cidades mais próximas, destruindo casas e matando 19 pessoas. Não houve aviso prévio, nem mesmo o sinal de uma sirene. Os habitantes de Bento Rodrigues, a primeira cidade afetada, escutaram um barulho que vinha de longe, mas não compreenderam do que se tratava. Ao divisar o tsunami de lama que descia furiosamente montanha abaixo, a população correu para as zonas mais altas levando o que podia carregar e deixando para trás suas histórias. A lama, que devastou as cidades próximas à barragem, chegou até o rio Doce e dali para o mar, afetando também outros municípios, ao deixar muitas pessoas sem acesso à água potável. As comunidades da ribeira, formadas por pescadores e outros profissionais que dependiam do rio, foram obrigadas a buscar novas formas de vida e a se acostumar a um cenário devastador.
“Retrato de barro” é um retrato da atual sociedade brasileira, que revela a natureza devastada pelos grandes interesses econômicos, populações carentes que permanecem à margem do progresso, a luta de movimentos populares invisíveis aos grandes meios de comunicação e histórias de vida de pessoas que viram a própria vida ser manchada pela lama. As fotografias de Lucas Bois apresentam o olhar silencioso de mulheres e homens trabalhadores e na quietude de um rio transformado pela contaminação. Com o passar do tempo, a água secou e a lama deixou sua marca de barro seco nas árvores brancas e nas casas vazias. Estas fotografias de tristeza, luto e luta têm o objeto de marcar nossa memória, para que não se esqueça, para que não se repita e para que se faça justiça.
Lucas Bois é fotógrafo, câmara e arte-educador. Licenciado em Educação Artística, com pós-graduação em Fotografia, trabalhou em projetos sócio-educativos e como fotógrafo em diversas áreas, desde desfiles de cachorros a fotógrafo de rotas turísticas em bicicleta por Buenos Aires. Viveu dois anos na capital argentina, onde estudou cinema e fotografia e fundou a produtora de vídeo Jazz Media. Atualmente, dedica-se à fotografia e ao vídeo, colabora com os coletivos Jornalistas Livres e Mídia Ninja e realiza projetos de autor em fotografia e vídeo em Belo Horizonte (Minas Gerais).
A exposição poderá ser visitada no Palácio de Maldonado (Plaza de San Benito, 1) de 25 de abril a 28 de maio de 2017, de segunda à sexta-feira, de 09h00 às 14h00. A entrada é gratuita.
