Exposição: “Caminhos do sertão”

No próximo 16 de março, às 12:00 horas, o Centro de Estudos Brasileiros inaugura a exposição "Caminhos do Sertão", da antropóloga e fotógrafa Ana Caroline de Lima, a primeira dos quatro selecionados no programa da Residência Artística de Fotografia 2017.

Cartel Ana16.03.2017

No próximo 16 de março, às 12:00 horas, o Centro de Estudos Brasileiros inaugura a exposição “Caminhos do Sertão”, da antropóloga e fotógrafa Ana Caroline de Lima, a primeira dos quatro selecionados no programa da Residência Artística de Fotografia 2017.

A busca por uma vida melhor: esse é o motivo apontado pela maioria das pessoas que deixa o sertão brasileiro rumo a outras regiões do país. Séculos atrás, no entanto, as mesmas terras eram vistas como promissoras por escravos que fugiam para lá em busca da tão sonhada liberdade. Com o passar do tempo, inverteu-se a percepção sobre o lugar mas não sobre seu povo.

Anteriormente ocupada por tribos indígenas pertencentes ao tronco linguístico macro-jê, o povoamento de origem europeia da região se deu sobretudo a partir do século XVII, em razão da exploração d pedras preciosas e da criação de gado. Os indígenas que viviam na região sertaneja eram descritos pelos colonizadores como arredios, fortes, bárbaros na comparação com o grupo Tupi-guarani. Eram, no fim das contas, pessoas ávidas pela defesa de suas terras. Mas, como é o sertanejo do século XXI? É possível distinguir traços da mistura negra e indígena em suas feições? Os personagens do noroeste mineiro trazem estampados no rosto e em seu cotidiano resquícios desta miscigenação. No ensaio “Caminhos do sertão”, a fotógrafa documental e antropóloga visual Ana Caroline de Lima mostra personagens sertanejos, que trazem histórias estampadas em suas roupas, em suas conversas, em seus rostos. “Caminhos do sertão” busca mostrar, também, através de fotografias documentais, a vida cotidiana do norte mineiro, região muitas vezes subestimada e esquecida, de forma a revelar a pluralidade brasileira para seus próprios habitantes e apresentá-la para outros países. O Brasil não é só “samba, carnaval e futebol”, e que existe beleza mesmo nos lugares mais remotos e que seus habitantes são resilientes, plurais e ricos culturalmente. Indígenas, afro descendentes, europeos… A miscigenação desses povos é responsável por deixar a cultura brasileira tão distinta de outros países da América do Sul. O sertão é nativo do Brasil, e de nenhum outro lugar. A presente exposição fotográfica mostra um Brasil que é tradicional e, ao mesmo tempo, bastante atual. Uma cultura exclusivamente brasileira.

Pós-graduada em antropologia visual, a jornalista e fotógrafa paulistana Ana Caroline de Lima percorreu seis vilarejos do sertão mineiro a fim de conhecer personagens que transmitam o espírito sertanejo de resiliência e miscigenação. Comunidades, vilarejos e municípios, todos os lugares onde a realidade humana pode e deve ser retratada são do interesse de Ana, cujos principais trabalhos foram realizados na América do Sul, em comunidades quilombolas, indígenas, menonitas, ciganas e campesinas, bem como em países do sudeste asiático. Seu trabalho já foi exposto em mais de dez países, e entre seus clientes estão a ONU, Getty Images e Care International.

A exposição estará aberta à visitação no Palácio de Maldonado (Plaza de San Benito, 1) de 16 de março a 16 de abril de 2017, de segunda à sexta-feira, de 09:00 às 14:00 horas. A entrada é gratuita.

Neste link está disponível a entrevista com a autora no programa “Brasil es mucho más que samba”.

Compartir

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no reddit
Compartilhar no skype
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email

Relacionado:

Trata-se de um livro eletrônico que reúne os relatos vencedores do concurso ‘Cuéntame un cuento’.
Coordenadora do Núcleo de Mídias e Diálogo com o Público do Museu da Vida, Renata nos oferece várias fontes de inspiração.
Anterior
Próximo