
Como parte do seu compromisso com a formação e o aperfeiçoamento acadêmico de especialistas na realidade histórica e atual do Brasil, o CEB organiza a segudna edição do Seminário de pesquisa “Estudos brasileiros na USAL, com o objetivo de oferecer um espaço para divulgar e debater acerca da produção de conhecimento sobre o Brasil na Universidad de Salamanca.
A programação começa na sexta-feira, 22 de março, às 12 horas (CET) com a apresentação de “Novas (e velhas) canções do exílio: relações intertextuais e perspectivas locais sobre o exílio e a nostalgia na literatura brasileira”. Trata-se da pesquisa de Jorge Arroita, orientada pelo Dr. Manuel González de Ávila (USAL) e pelo Dr. Paulo Alexandre Cardoso Pereira (Universidade de Aveiro, Portugal), que se desenvolve no programa de doutorado “Español: investigación avanzada en lengua y literatura”.
A apresnetação acontecerá em español, e será transmitida ao vivo através das redes sociais do CEB: Facebook e YouTube.
Sobre o projeto
Este seminário está estruturado sobre o conceito de ‘intertextualidade’ e os fenômenos relativos à mesma, entendidos como relações e transformações entre-os-textos.
Assim, o evento tem como foco o estudo das relações e transformações experimentadas por uma série de textos interdependentes sobre diferentes “canções de exílio” brasileiras e suas diferentes variantes de acordo com o autor e época, partindo da “Canção de exílio” (1843) de Antônio Gonçalves Dias e chegando até o “Canto de regresso à patria” (1924) de Oswald de Andrade, a “Canção do exílio” (1931) de Murilo Mendes, a “Nova canção do exílio” (1943) de Carlos Drummond de Andrade, “Uma canção” (1966) de Mario Quintana, “Canção do exílio facilitada” (1973) de José Paulo Paes e os “Jogos Florais” (1985) de Antônio Carlos de Brito.
Cada uma dessas variações sobre a versão original de Gonçalves Dias – sendo a referencialidade entre elas muito clara (umas pelo título, outras por seus versos) -, consegue representar uma interpretação diferente sobre a noção de exílio e seu tratamento ou síntese lírica dentro do poema: a partir de diferentes aspectos semânticos e axiológicos sobre o conceito que reverberam na nostalgia e a natureza brasileira, e implicitamente na situação histórica do Brasil da época, até inovações formais que deconstruem a expressão poética do exílio.
Sobre o doutorando
Jorge Arroita é doutorando em Teoria da Literatura na Universidade de Salamanca, onde pesquisa sobre intertextualidade e relações entre literatura, ciência e filosofia. No âmbito cultural codirige, desde 2019, a revista literária Apostasía; foi antologador de Cuando dejó de llover. 50 poéticas recién cortadas (Sloper, 2021), poeta selecionado na 8ª Geração ‘Nuevas Miradas’ e coordenador do III e IV Festival de Poesia Jovem Iguanas Vivas. Publicou artigos em revistas como Cuadernos de Aleph e Compendium: Journal of Comparative Studies, assim como nos monográficos La expansión del género negro (Andavira, 2020) e Teatro, ciencias y ciencia ficción en las dos últimas décadas del siglo XXI (Verbum, 2023).