Top 10: os melhores compositores de MPB II

Na emissão anterior, falamos sobre os 7 melhores compositores de MPB de todos os tempos, e hoje trazemos um Top 3.

No último Top 10, apresentamos a vocês 7 dos melhores compositores de MPB de todos os tempos, mas reservamos nosso top 3 particular. Os três grandes mestres de que falamos hoje merecem, por si só, um programa exclusivo e várias horas de música sem interrupção. São, talvez, três dos maiores artistas do século XX, capazes de superar fronteiras e culturas para tocar diretamente o coração das pessoas. Não é necessário ser brasileiro ou saber português para entender sua música. Basta se acomodar e aproveitar.

Top 3: Chico Buarque, a sensibilidade em estado puro

Foto: Ricardo Stuckert/PR.

Magro, tímido, simples e sorridente, com maravilhosos olhos azuis que são patrimônio nacional, Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido como Chico Buarque, é filho de um dos melhores historiadores do Brasil contemporâneo, Sérgio Buarque de Hollanda.

Nascido no Rio de Janeiro nos anos 40, Chico se matriculou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, mas cursou apenas dois anos, pois sabia que seu caminho era ser artista. Foi descoberto em 1966, quando venceu o Festival de MPB transmitido pela TV Record, com a canção “A Banda”, interpretada por Nara Leão.

Inquieto, polivalente e apaixonado, Chico Buarque não se limitou a compor singles e hits de rádio. Participou como ator e compôs trilhas sonoras de vários filmes, é autor de peças teatrais como Roda Viva e Gota d’Água e do musical Ópera do Malandro, que depois foi levado ao cinema por Ruy Guerra. Escreveu um livro-poema para crianças, Chapeuzinho Amarelo, cheio de magia e boas vibrações, e seis romances: Benjamin, Budapeste, Fazenda Modelo, Estorvo, Leite Derramado e O Irmão Alemão.

Muitas de suas canções tiveram sua versão definitiva na voz de outros artistas, como “Atrás da Porta”, imortalizada por Elis Regina, e “O Cio da Terra”, gravada por Milton Nascimento. Além disso, Chico Buarque se destaca por um “eu lírico” feminino, abordando temas sob a perspectiva das mulheres com notável poesia e beleza, o que faz de suas composições perfeitas para cantoras. Talvez os casos mais famosos sejam “Olhos nos Olhos” e “Teresinha”, gravadas por Maria Bethânia, ou “Folhetim” com Gal Costa, mas há muitas outras.

Abaixo, deixamos as músicas do programa.

“Geni e o Zepelim”, Chico Buarque
“Eu te amo”, Chico Buarque.
“Sabiá”, Chico Buarque y Tom Jobim

Top 2: Caetano Veloso, inovação e tradição

Foto: Facebook.

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, mais conhecido como Caetano Veloso, é um dos músicos e compositores brasileiros mais conhecidos fora do Brasil. Com cinco décadas de carreira, a obra de Caetano é marcada pela constante releitura e renovação, além de possuir um valor intelectual e poético inquestionável.

Caetano Veloso começou escrevendo críticas de cinema para o Diário de Notícias, dirigido pelo cineasta Glauber Rocha, e participando de espetáculos semiprofissionais. Ele chegou aos palcos pelas mãos de sua irmã Maria Bethânia, que gravou uma canção de sua autoria em seu primeiro disco, Sol Negro.

Contestador e inconformista, Caetano lideraria o movimento conhecido como Tropicalismo, que renovou o cenário musical brasileiro e as formas de criar e apresentar música no Brasil. O ponto de partida foi o disco Tropicália ou Panis et Circensis, um álbum coletivo que contou com a colaboração de nomes consagrados como Nara Leão, Os Mutantes, Torquato Neto, Tom Zé, Gilberto Gil e Gal Costa, entre outros.

Nos anos 80, já mais sóbrio, apadrinhou e se inspirou em bandas de rock nacional, iniciando uma espiral criativa que deu origem a discos como Outras Palavras, Cores, Nomes, Uns e Velô. Sua música começou a ser ouvida e apreciada fora do Brasil, especialmente em Israel, Portugal, França e África, e Caetano fez várias incursões no cinema e na televisão ao lado de seu amigo Chico Buarque.

Dessa época são algumas das gravações mais representativas de sua carreira e de toda a MPB, como “Os Outros Românticos”, “O Estrangeiro”, “Giuletta Massina”, “O Ciúme”, “Outras Palavras” ou a maravilhosa “O Quereres”.

“Alegría, alegría”, Caetano Veloso
“O quereres”, Caetano Veloso y Maria Gadú

Top 1: Vinicius de Moraes, o poeta da MPB

E assim, de maneira suave e simples, chegamos ao final deste peculiar Top 3, com nossa medalha de ouro para, em nossa opinião, o melhor compositor de MPB de todos os tempos: o grande Vinicius de Moraes.

Foto: web oficial.

Poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata e, claro, cantor e compositor, Vinicius era um boêmio inveterado, fumante e bebedor de uísque, além de um grande conquistador que chegou a se casar 9 vezes. Sua obra é vasta, abrangendo a literatura, o teatro, o cinema e a música, embora ele sempre se considerasse, antes de tudo, poeta.

Diplomata de carreira, ocupou vários cargos oficiais em Los Angeles, Montevidéu, Roma e Paris, mas com a chegada da ditadura militar, foi destituído devido ao seu comportamento boêmio. Em 1954, publicou sua peça teatral Orfeu da Conceição, premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo. Dois anos depois, enquanto procurava alguém para musicar a peça, seu amigo Lucio Rangel lhe aconselhou trabalhar com um jovem pianista, Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Tom Jobim, que na época tinha 29 anos e vivia de vender canções e arranjos musicais nos bares de Copacabana.

Do encontro de Vinicius e Tom nasceu uma das parcerias mais fecundas da música brasileira. A esses dois gênios devemos canções que são verdadeiros patrimônios da humanidade, como a fundadora da bossa nova “Chega de Saudade” ou a mil vezes versionada “Garota de Ipanema”, embora, se tivermos que escolher uma, a vencedora seja “Insensatez”. Além de Tom Jobim, Vinicius colaborou em inúmeras ocasiões com Carlos Lyra, com quem compôs clássicos como “Você e Eu”, “Coisa Mais Linda” e “Nada Como te Amar”. Com Pixinguinha, compôs a trilha sonora do filme Sol sobre a Lama, de Alex Vianny, e com Baden Powell, sucessos como “Canção de Amor”, “Canto de Ossanha”, “Mulher Carioca”, “Para que Chorar” e esta, com a qual fechamos o programa, intitulada “Samba em Prelúdio”.

“Insensatez”, Vinicius de Moraes
“Samba em preludio”, Vinicius de Moraes y Toquinho

Para saber mais:

Facebook oficial de Chico Buarque.

Facebook de Chico Buarque.

Facebook oficial de Caetano Veloso.

Facebook de Caetano Veloso.

Página oficial de Vinicius de Moraes.

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