Na quarta-feira, 19 de junho, às 12horas, o CEB inaugura a exposição “Brasil negro, Brasil indígena: fotografia experimental decolonial”, dos fotógrafos Antônio Joffily, Ruth Souza, Nármada Sugasti e Thales Lima. A exposição é parte do programa de Residência Artística de Fotografia 2024 e usa técnicas de produção de imagens, que foram progressivamente desaparecendo em razão do avanço tecnológico.
A exposição poderá ser visitada na sala de exposições do Palácio de Maldonado (Plaza de San Benito, 1) até 31 de julho, de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 14h00. A entrada é livre.
Sobre a exposição
Esta exposição coletiva reúne 40 imagens, que se apresentam como corpo, matéria e processo. Corpos e matérias com história e com memórias, que se impõem como resistência a diversas tentativas de apagamento.
As fotografias aqui expostas foram elaboradas a partir de técnicas de produção de imagens, que foram progressivamente desaparecendo em razão do avanço tecnológico. Essas técnicas representam um reencontro com o processo artesanal e químico, substituído por técnicas por técnicas industriais mais rápidas de captura e impressão, e de geração automática da imagem. As fotografias também representam saberes e populações em risco de desaparecimento, e culturas cujas existências se esvaem em função de um mundo mais veloz e produtivista.
A exposição busca uma poética que seja política de resistência ao esquecimento. Por isso, os processos de feitura da imagem são saberes acumulados e transformados, e se entrelaçam com a matéria orgânica e com a memória.
Os fotógrafos


Ruth Sousa é a líder do grupo de pesquisa Laboratório de Fotografia Alternativa (LAFA), que investiga formas e técnicas antigas de fotografia.
Nesta exposição, Ruth Sousa traz retratos de indígenas de diversas etnias, que habitam o território brasileiro, sobretudo os Asuriní e Karajá. Ruth escolheu trabalhar imagens que remontam outro tempo para tentar resgatar sua própria história, entender suas raízes, como fruto da miscigenação entre negros, indígenas e brancos. As imagens foram trabalhadas a partir com o processo Van Dyke Brown. A proposta era produzir uma reação química, cuja coloração se aproximasse ao tom de pele dos indígenas.

Nármada Sugasti é artista plástica, fotógrafa e professora de artes visuais, diplomada pela Universidade de Brasília (UnB, Brasil) e integrante do LAFA.
Suas imagens foram produzidas utilizando frutas e plantas típicas do cerrado, o bioma predominante nas regiões centrais do Brasil, e que se encontra em risco de extinção. A autora parte de uma investigação sobre antotipia, técnica que utiliza o sumo de plantas de alto teor pigmentar e fotossensível para produzir imagens a partir de uma reação fotoquímica. Ela consegue fazer a imagem fotográfica unicamente a partir da planta, usando as reações químicas presentes nos materiais orgânicos, mas tendo que abdicar da possibilidade de fixação dessa imagem.

Thales Lima é estudante de Comunicação Social Audiovisual pela Universidade de Brasília (UNB, Brasil) e membro do LAFA.
Nas imagens de Thales Lima, vemos um homem negro que performa a capoeira, uma luta–dança com origens africanas. Nas sequências de imagens, Thales congela cada instante dos movimentos desta luta–dança, para melhor compreendê-los. O autor usa técnica da cianotipia para fazer este trabalho. Suas propriedades químicas fazem com que o resultado da reação crie imagens na cor azul da Prússia. Todavia, Thales altera estas características ao banhar suas cianotipias em boldo. Assim, sua imagem novamente se altera quimicamente ao reagir com a planta, e a passa a ter um tom esverdeado, terroso, se aproximando mais dos corpos e espaço representados na imagem.