#DicaUSAL: Servicio de Asuntos Sociales

Diversidade, inclusão e cuidado: o Serviço de Assuntos Sociais da Universidade de Salamanca

A Universidade de Salamanca não é apenas uma das universidades mais antigas do mundo. Ao longo de mais de oito séculos de história, a USAL tem construído também uma identidade fortemente ligada ao compromisso social, à igualdade de oportunidades e à atenção às pessoas que fazem parte da sua comunidade académica. Dentro dessa lógica, o Serviço de Assuntos Sociais (SAS) desempenha um papel fundamental, articulando apoio social, psicológico, educativo e comunitário.

Nesta edição da coluna #DicaUSAL do programa Brasil es mucho más que samba, conversamos com Sofia Matos Marques, integrante da Unidade de Atenção à Diversidade e Inclusão (UADI), uma das unidades que compõem o SAS. A entrevista permitiu conhecer em profundidade o funcionamento do serviço, o público atendido, os projetos em curso e os desafios atuais — com especial atenção ao acolhimento de estudantes internacionais, entre eles muitos brasileiros que chegam todos os anos à Universidade de Salamanca.

A origem do Serviço de Assuntos Sociais e da Unidade de Atenção à Diversidade e Inclusão

Embora as ações de promoção da igualdade de oportunidades na USAL remontem ao início dos anos 90, foi no final dessa década que o Serviço de Assuntos Sociais se estruturou formalmente. Como explica Sofia Matos Marques, o SAS e a unidade que hoje conhecemos como UADI começaram a funcionar em 1999, passando desde então por diferentes fases de consolidação e crescimento.

Nos anos 90 começaram ações para promover a igualdade de oportunidades, mas foi no ano de 1999 quando o SAS e a Unidade começaram a funcionar”, recorda. Desde então, o serviço vem se adaptando às transformações da universidade e da sociedade, respondendo a novas demandas e ampliando o seu campo de atuação.

Atualmente, o SAS é um serviço transversal, que articula diferentes unidades especializadas, sempre com o objetivo de garantir que todas as pessoas da comunidade universitária tenham acesso a condições equitativas de participação na vida académica.

Missão e objetivos: inclusão como responsabilidade coletiva

A Unidade de Atenção à Diversidade e Inclusão tem como missão central promover a igualdade de oportunidades dentro da universidade, mas o seu trabalho vai além do atendimento individualizado a pessoas com necessidades específicas. Como sublinha Sofia, um dos grandes desafios da UADI é também atuar no plano formativo e comunitário.

A unidade tem vários objetivos, mas um dos principais é dar oportunidade a todas as pessoas que estão na universidade”, explica. Isso inclui não apenas estudantes que necessitam de apoio educativo específico, mas toda a comunidade universitária, que é chamada a refletir sobre práticas inclusivas.

Nesse sentido, a UADI trabalha para que professores, funcionários e estudantes compreendam o seu papel na construção de um ambiente universitário mais acessível e inclusivo. A inclusão, portanto, não é entendida como uma tarefa exclusiva de uma unidade, mas como uma responsabilidade compartilhada.

Públicos atendidos e tipos de apoio oferecidos

Ao longo dos anos, o perfil das pessoas atendidas pela UADI foi mudando. Inicialmente, a procura vinha sobretudo de estudantes com deficiência física, visual, auditiva ou intelectual. Hoje, o cenário é diverso e reflete transformações sociais mais amplas.

Atualmente, encontramos muitos casos de pessoas com transtorno de déficit de atenção e, sobretudo, problemas de saúde mental”, explica Sofia. Essa mudança levou à Unidade a crescer e a incorporar novos perfis profissionais, incluindo atendimento psicológico especializado.

Um dos pilares do trabalho da UADI é a elaboração de relatórios para adaptações curriculares, garantindo que os processos de ensino-aprendizagem respeitem as necessidades individuais dos estudantes. “É difícil que o mesmo sistema funcione para todos e para todas”, afirma Sofia, sublinhando a importância de flexibilizar práticas pedagógicas para tornar a universidade verdadeiramente inclusiva.

Atenção psicológica e articulação com outros serviços

Dentro do SAS, a atenção psicológica é organizada de forma articulada entre diferentes unidades. A UADI atende sobretudo pessoas que já possuem um diagnóstico e que necessitam de adaptações educativas, enquanto a Unidade de Atenção Psicológica oferece apoio psicológico a todos os estudantes, independentemente de diagnóstico.

Sofia destaca que o serviço não substitui o sistema público de saúde, mas atua num plano psicossocial complementar. “Aqui fazemos um acompanhamento mais psicossocial, com um número determinado de sessões, que permite orientar, apoiar e, quando necessário, encaminhar para outros serviços”, explica.

Essa articulação interna e externa é uma das chaves do funcionamento do SAS, permitindo respostas mais eficazes às diferentes situações que surgem no contexto universitário.

Apoio a estudantes internacionais: informação, acolhimento e integração

A Universidade de Salamanca recebe todos os anos milhares de estudantes internacionais, muitos deles provenientes do Brasil. Para esse público, o SAS desempenha um papel essencial de orientação e acolhimento, especialmente nos primeiros meses de permanência na cidade. Segundo Sofia Marques, o SAS oferece informações fundamentais sobre assistência médica, sistema sanitário e questões administrativas, como vistos, prazos e requisitos legais. Além disso, o SAS também atua em colaboração com outros serviços da universidade para orientar sobre moradia e integração na vida académica.

Um dos programas mais inovadores mencionados na entrevista é o programa intergeracional de moradia, que permite a estudantes viverem com pessoas idosas a um custo reduzido. “É uma maneira de gerar relações entre pessoas mais jovens e pessoas com mais idade”, explica Sofia, destacando o impacto social e humano da iniciativa.

Projetos em destaque: gerar comunidade e redes de apoio

Entre os projetos desenvolvidos pela UADI, Sofia destaca três iniciativas que refletem bem a filosofia do serviço: gerar comunidade, criar redes e fortalecer vínculos.

O primeiro é a Mentoria inclusiva, um projeto que promove o apoio entre estudantes. Alunos que já conhecem a universidade acompanham aqueles que estão chegando, ajudando-os a compreender o funcionamento institucional e a criar laços sociais. Inicialmente pensado para estudantes com necessidades educativas específicas, o programa foi ampliado para incluir também estudantes internacionais.

Quando chegamos a um lugar novo, nem sempre conhecemos os códigos ou as formas de nos relacionar”, observa Sofia, sublinhando a importância desse apoio informal para a integração cultural no âmbito da vida académica e social.

Outro projeto é a Huertita inclusiva, desenvolvida em espaços da Faculdade de Psicologia, Terapia Ocupacional e Belas Artes. A iniciativa permite a participação da comunidade universitária em atividades práticas que estimulam habilidades sociais, cooperação e bem-estar.

Por fim, a Aprendizagem-Serviço articula conteúdos curriculares com demandas sociais concretas. Estudantes colocam os seus conhecimentos ao serviço da comunidade, em parceria com entidades sociais. Um exemplo citado por Sofia é o desenvolvimento de programas de apoio a cuidadores, realizados por estudantes de Psicologia, Terapia Ocupacional e Enfermagem.

Além desses projetos, a UADI participa do programa UniverUSAL, destinado a pessoas com deficiência intelectual, promovendo formação e criando pontes entre a universidade e outros públicos.

Voluntariado e participação estudantil

A Universidade de Salamanca tem uma forte tradição de voluntariado, e a UADI atua de forma integrada com diversos programas institucionais. Há projetos próprios da universidade, desenvolvidos em colaboração com unidades como a Oficina Verde ou a Unidade de Igualdade, e iniciativas externas, em parceria com associações da cidade e da província.

Entre essas iniciativas, Sofia menciona projetos como Província Criativa e Campus Sustentável, que financiam propostas apresentadas pelos próprios estudantes. “É uma maneira de dar espaço a ideias que muitas vezes temos, mas para as quais não temos meios”, explica.

O voluntariado, nesse contexto, não é apenas uma forma de ajudar a outras pessoas, mas de enriquecer a experiência universitária, promovendo participação ativa e compromisso social.

Sensibilização, formação e campanhas

Além do atendimento direto, a UADI investe fortemente em ações de sensibilização e formação abertas à comunidade universitária. Campanhas como o “Dia do Doador Universitário de Sangue” fazem parte do calendário anual, assim como mesas informativas sobre os serviços disponíveis na universidade.

A unidade também colabora com formações regulares sobre prevenção de dependências e educação afetivo-sexual, realizadas em conjunto com a Unidade de Atenção Psicológica. “A ideia é estar presentes e criar espaços de entendimento”, afirma Sofia, destacando a importância do diálogo constante com a comunidade. Essas ações são pensadas de forma participativa, levando em conta as necessidades expressas pelos próprios estudantes e funcionários.

Olhando para o futuro: novos desafios e linhas de trabalho

Pensando no futuro próximo, a UADI prepara novas linhas de atuação, entre elas a atenção a pessoas com altas capacidades, um campo ainda pouco explorado no contexto universitário. A proposta é oferecer um acompanhamento mais adequado a esse público, ampliando o conceito de diversidade atendido pelo serviço.

Outro desafio central continua sendo a saúde mental, uma demanda crescente nos últimos anos. Para enfrentá-la, a UADI aposta em maior articulação com associações estudantis, serviços públicos e outras instituições, participando de mesas técnicas e redes de cooperação a nível local, nacional e internacional.

Participar para transformar: uma mensagem final

Para Sofia Matos Marques, a participação ativa dos estudantes é fundamental. O voluntariado e o envolvimento em projetos comunitários não apenas beneficiam a universidade e a sociedade, mas também têm um impacto positivo na vida de quem participa.

As pessoas que fazem voluntariado têm uma maior satisfação vital”, afirma. Para estudantes internacionais, especialmente aqueles que acabam de chegar, essas iniciativas podem ser uma forma privilegiada de criar vínculos, construir redes de apoio e viver a universidade para além da sala de aula.

O convite está aberto: basta entrar em contato com o Serviço de Assuntos Sociais e descobrir qual é a melhor forma de participar. Afinal, como mostra o trabalho do SAS e da UADI, inclusão e diversidade são construídas no dia a dia, com cuidado, escuta e compromisso coletivo. 

Consulta a informação de contato com o SAS aqui.

#Dica USAL é uma coluna do programa Brasil es mucho más que samba dedicada a divulgar serviços e recursos oferecidos pela Universidade de Salamanca. Brasil es mucho más que samba se emite todas às terças-feiras, às 17h30, em Rádio USAL. Para sugerir uma pauta ou contatar com a equipe do programa, escreva ao masquesamba@usal.es.

Fotografia: Sofia Marques e Elisa Duarte no estúdio da Radio Universidad.

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