No próximo 11 de fevereiro, o Centro de Estudos Brasileiros inaugura a exposição Movimento Steampunk Brasileiro, um projeto fotográfico do autor brasileiro Marcos Sanchez que convida o público a mergulhar em um universo visual onde passado e futuro se entrelaçam por meio da imaginação, da técnica e da performance.
A mostra, composta por 40 fotografias, marca o encerramento da edição 2025 da Residência Artística de Fotografia, um ano especialmente significativo por celebrar o 10.º aniversário deste programa do CEB dedicado ao intercâmbio cultural e à criação visual contemporânea.
A inauguração terá lugar às 12 horas, na sala de exposições do CEB. A exposição poderá ser visitada no Palácio de Maldonado (Plaza de San Benito, 1, Salamanca), sede do CEB, de 11 de fevereiro a 26 de março de 2026, de segunda a sexta-feira, das 9h às 14h. A entrada é gratuita.
O steampunk: imaginar outros passados para pensar o presente
Quando falamos de steampunk, costumamos pensar em dirigíveis cruzando céus enevoados, autômatos de metal, engrenagens visíveis, óculos de soldador e vestimentas inspiradas no século XIX. No entanto, o steampunk é muito mais do que uma estética chamativa: trata-se de um subgênero narrativo, uma corrente artística e uma subcultura que propõe imaginar futuros alternativos a partir de passados possíveis.
Nascido no âmbito da ficção científica especulativa nas últimas décadas do século XX, o steampunk se constrói a partir de ucronias nas quais o desenvolvimento tecnológico segue uma lógica distinta, dominada pela energia a vapor, pela mecânica e pela engenharia visível. A partir desse “futuro do passado”, o steampunk reflete de forma crítica sobre o progresso, a desigualdade, a industrialização e o impacto da tecnologia nos corpos e na vida social.
No Brasil, esse imaginário adquire características próprias. Longe de reproduzir apenas a Inglaterra vitoriana, o steampunk brasileiro reinterpreta contextos locais, dialoga com a história do país e se manifesta como uma prática coletiva que combina literatura, artes visuais, moda, artesanato e encontros culturais. Espaços como a vila ferroviária de Paranapiacaba, cenário da SteamCon — convenção steampunk realizada anualmente —, tornaram-se referências dessa apropriação criativa e comunitária.
O olhar do fotógrafo
O autor da exposição, Marcos Sanchez, aproxima-se do steampunk por meio da fotografia como ferramenta de documentação, encontro e criação artística. Sua relação com esse universo teve início em 2014, quando começou a acompanhar a SteamCon de Paranapiacaba, inicialmente atraído pela possibilidade de realizar retratos singulares e, com o passar do tempo, pelos vínculos humanos que foi construindo com os participantes.
Diferentemente do cosplay, no steampunk não se reproduzem personagens preexistentes: cada participante cria sua própria identidade, com uma história, uma estética e uma evolução ao longo do tempo. Esse processo criativo — visível na transformação de figurinos, máscaras e acessórios ao longo dos anos — é um dos eixos centrais da série fotográfica que compõe esta exposição.
As imagens reunidas em Movimento Steampunk Brasileiro retratam personagens fotografados em diferentes edições da SteamCon, evidenciando tanto a diversidade do movimento quanto seu caráter global, potencializado pelas redes sociais e por uma comunidade ativa que compartilha saberes, materiais e imaginários.
O fotógrafo
Marcos Sanchez é fotógrafo brasileiro e presidente do Fotoclube ABCclick, no ABC Paulista (São Paulo), além de diretor de fotografia da CONFOTO (Confederação Brasileira de Fotografia). Possui a distinção MFB (Mestre Fotógrafo Brasileiro), o título AFIAP (Artist FIAP) concedido pela Fédération Internationale de l’Art Photographique, e a certificação Qualified PSA da Photographic Society of America.
Participou e foi premiado em numerosos salões e concursos de fotografia no Brasil e no exterior. Em sua trajetória, destaca-se também a exposição individual Arquitetura colonial brasileira (1500–1822), apresentada no CEB no âmbito da Residência Artística de Fotografia de 2019. Atualmente, desenvolve trabalhos voltados para o mercado de arte, com especial atenção à impressão Fine Art e ao tratamento autoral de suas imagens.
A Residência Artística de Fotografia do CEB
A Residência Artística de Fotografia é um programa consolidado que promove a criação contemporânea e o diálogo cultural entre Brasil e Espanha por meio da imagem. Ao longo de seus dez anos de trajetória, acolheu fotógrafas e fotógrafos de diversas origens e estilos, gerando exposições, catálogos e atividades abertas ao público.
A exposição Movimento Steampunk Brasileiro encerra a edição 2025, celebrada no marco do 10.º aniversário do programa, reafirmando o compromisso do CEB com a fotografia como linguagem artística, documental e crítica.