O Congresso Internacional de Literatura Brasileira —COLIBRA —2026 tem como núcleo de gravitação a obra de João Guimarães Rosa, convocando investigadores, escritores, artistas, tradutores e curadores para explorar, criticamente e de modo interdisciplinar, as travessias que a sua escrita instaura entre linguagem, imaginação e mundo. Reconhecendo que Rosa excede o campo literário e se afirma como um dos grandes laboratórios estéticos do século XX, o congresso Guimarães Rosa: laboratório e e sendeiros da linguagem e do mundo propõe o exame colectivo de como o romance, o conto, a poesia, o ensaio, o cinema, as artes visuais, a música, a performance e as práticas híbridas têm reinterpretado, tensionado e reinventado o seu vasto universo simbólico. A poética rosiana, marcada pelo enigma, pela invenção formal, pela espiritualidade, pela violência, pelo humor e pelo enredo das complexidades históricas, constitui um espaço privilegiado para pensar o Brasil e o humano sob focalizações sempre renovadas. Assim, o encontro pretende congregar leituras críticas e, mesmo, criações contemporâneas, entendendo-as como modos de conhecimento e intervenção no tecido cultural.
Organizado em três eixos, o congresso mobiliza: 1. linguagem e invenção, dedicado à palavra como casa e força metamórfica. Interessa reflectir sobre neologias, oralidades, jogos metalinguísticos, traduções e práticas intersemióticas que fazem da escrita rosiana um território singularíssimo, onde habitar implica experimentar. No eixo 2. travessia e exílio, analisam-se as figuras do deslocamento e da demanda: errâncias morais e existenciais, fronteiras históricas, exílio interior, vulnerabilidade e reinvenção, tal como emergem em Grande Sertão: Veredas e nos contos. O eixo 3. paisagens e viagens visa congregar investigação que incida sobre a mobilidade como expansão estética: o «sertão» como espaço cosmopolita e metafísico; as viagens do autor e das suas personagens; e as ressonâncias internacionais e artísticas que desdobram o seu imaginário em múltiplas linguagens visuais e sonoras.
O V COLIBRA 2026 pretende, pois, ser um espaço de convergência crítica e, também, de criação convivial, onde a imaginação rosiana – com a sua densidade filosófica e a sua apetência pelas veredas – seja analisada como pórtico para repensar modos de habitar a linguagem, de enfrentar o desconhecido e de imaginar geografias culturais outras. Em vésperas de efemérides rosianas – 2027, 60 anos do falecimento; 2028, 120 anos do nascimento –, o congresso visa reunir na Universidad de Salamanca a diversidade expressiva das artes e humanidades que têm respondido à vitalidade da obra de Guimarães Rosa, abrindo horizontes teóricos e criativos capazes de inspirar formas mais amplas, sensíveis e rigorosas de pensar o Brasil e o humano.