No dia 1º de junho, às 12h00, o Centro de Estudos Brasileiros inaugura a exposição “Territorios de resistencia” do fotógrafo brasileiro Zé Barretta, o terceiro entre os selecionados no programa de Residência Artística de Fotografia 2017.
Nos últimos anos, os movimentos sociais que lutan por uma moradia digna ganharam força na cidade de São Paulo. Nos terrenos da periferia ou nos edifícios abandonados do centro urbano, milhares de famílias vivem atualmente nesses locais, muitas vezes em situações precárias, reivindicando acesso a melhores condições de vida. Esta é uma luta política contra um sistema perverso que exclui automaticamente os indivíduos e famílias que não conseguem alcançar uma renda mensal mínima necessária para comprar uma casa ou apartamento, ou mesmo para serem admitidos nos programas sociais de moradia do governo federal. As ocupações colocam em conflito dois princípios jurídicos básicos: o direito à moradia e o direito à propriedade, conflitos que em geral se resolvem depois de longos anos de disputas judiciais.
Por outro lado, desde o final da ditadura militar, em 1984, diversos movimentos sociais começaram a se organizar, especialmente no campo. É o caso do MST (Movimento dos Sem Terra), o primeiro e mais importante entre todos. Como um desdobramento do MST, mas centrado em questões de habitação urbana, surgiu o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) que procede, como o MST, ocupando parcelas vazias com lojas, que mantêm indefinidamente para não transformar a ocupação em favelas. Nas duas últimas décadas (1990-2010), começaram a surgir outros grupos, que se organizaram para ocupar edifícios vazios do centro. Movimentos como o MSTS, MSTC, MMPT ou MMRC, que juntos integram o FLM (Frente de Luta pela Moradia) mobilizam a milhares de pessoas, que saem às ruas dispostas a se fazerem ouvir. Ocupar imóveis vagos no centro desafia a sociedade a repensar a questão habitacional normalmente relegada a uma periferia esquecida pelo poder público e afastada dos olhos da mídia, pautada por interesses financeiros e, na maioria das vezes, alheia ao conjunto da sociedade. A questão voltou à discussão por conta da queda do governo de Dilma Rousseff, que colocou em risco os programas sociais. Os líderes dos movimentos prometem intensificar a luta.
O projeto que se apresenta no CEB segue moldes tradicionais onde é necessário a conquista da confiança por parte do grupo que está sendo retratado por alguém “de fora”. Isso exige tempo, diálogo e respeito de ambas as partes. O trabalho teve início em fevereiro de 2014, segue em andamento e já conta com um corpo significativo de imagens.Paulistiano e fotógrafo independente, Zé Barretta (1973) estudou fotografia na Escola Panamericana de Artes (2006-2007) e desde então desenvolve vários projetos fotográficos a meio e longo prazo, no límite entre a fotografia documental e a artística. Atualmente, estuda Geografia na Universidade de São Paulo. Colabora com o jornal Folha de São Paulo desde 2011 e também presta seus serviços a empresas e assessorias de imprensa. O projeto “Territorios de resistencia”, já foi publicado na seção Fotosfera da Folha de São Paulo e na revista Mira Concepción Chile ed. 7, recebeu uma menção de honra em Visura Photo Grant 2016, AI-AP Latin America Fotografia 5 e NDAwards 2016 e participou na exposição Contacto FotoFest Argentina 2015 e no 1º Red Bull Foto Invasão.
A exposição poderá ser visitada no Palácio de Maldonado (Plaza de San Benito, 1) do dia 1º a 30 de junho de 2017, de segunda à sexta-feira, de 09h00 às 14h00. A entrada é gratuita.
