Catálogo da exposição “Despertar do Desatino”, do fotógrafo brasileiro Mateus Vidigal, do programa de Residência Artística de Fotografia de 2023, do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca.
A obra reune 35 fotografias elaboradas entre 2016 e 2022, que contam várias histórias, porque o autor, o fotógrafo Mateus Vidigal, acredita na construção de outras narrativas a partir da ruptura com a linearidade dos acontecimentos.
Mateus Vidigal acredita na potência de criação por quem vê as imagens, não apenas por quem as fotografa. Não cree, portanto, em interpretações exclusivas, nem em comunicar uma mensagem única através das fotografias. As imagens não foram feitas com o pretexto de uma cobertura jornalística. Mateus Vidigal participou das manifestações – inclusive sofreu um tiro de bala de borracha – mas, como não havia o compromisso com o registro jornalístico, teve a liberdade de circular pelos movimentos sociais e pelas manifestações buscando outro tipo de imagem.
O fotógrafo
Mateus Vidigal é fotógrafo e mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB, Brasil). Na linha de pesquisa Imagem, Som e Escrita, desenvolveu a dissertação de mestrado Entre o eu e a fotografia: experiência estética como devaneio e o sistema autopoiético observador-imagem, que versa sobre a temática da experiência estética fotográfica na contemporaneidade e assume uma metodologia na qual é pesquisador e alvo da própria pesquisa. É jornalista formado pela Faculdade de Comunicação da UnB e aproximou-se dos estudos sobre fotografia ainda no trabalho de conclusão do curso, em 2015. Busca uma abordagem da imagem fotográfica menos interpretativa e mais pautada por afetos, de modo a assumir o subjetivo e abraçar a experimentação da imagem como ruptura. Sua produção fotográfica deriva de influências da fotojornalismo e da fotografia documental, mas busca também propor narrativas que estejam em algum lugar para além da imagem fotográfica enquanto registro do real. Em outubro de 2019, foi contemplado por edital pela Aliança Francesa de Brasília e inaugurou a exposição solo Utopia Distopia: despertar para o sonho.