Exposição “Terras de Preto”

O fotógrafo brasileiro Ricardo Teles assina a exposição que retrata diferentes comunidades quilombolas do Brasil.

Na terça-feira, 7 de outubro, às 12 horas, o CEB inaugura a exposição Terras de Preto, do fotógrafo brasileiro Ricardo Teles. A mostra faz parte do programa de Residência Artística de Fotografia, que este ano celebra seu décimo aniversário.

A exposição poderá ser visitada no Palácio de Maldonado (Praça de San Benito, 1, Salamanca) até 21 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 14h. A entrada é gratuita.

Sobre a exposição

A história do Brasil não pode ser entendida sem a presença dos povos africanos. Durante mais de três séculos, milhões de homens e mulheres escravizados foram submetidos a condições de violência e exploração. No entanto, diante dessa opressão, surgiram múltiplas formas de resistência. Uma das mais significativas foi a criação de comunidades autônomas no meio rural: os quilombos.

O termo “quilombo”, juntamente com outros como “mocambo” ou “terras de preto”, designa os territórios onde pessoas negras fugitivas e seus descendentes forjaram modos de vida próprios. Mais do que simples refúgios, foram espaços de resistência e liberdade, organizados a partir do trabalho coletivo, da solidariedade e da preservação de tradições culturais profundamente ligadas à ancestralidade africana.

Hoje, os quilombos são reconhecidos como grupos étnicos com direitos específicos, conforme estabelece a Constituição brasileira de 1988. No entanto, a luta pela terra continua sendo longa e complexa. Segundo o Censo de 2022, 1,3 milhão de brasileiros se autodeclaram quilombolas, mas apenas 12,6% deles vivem em territórios titulados. Apesar da falta de reconhecimento legal, essas comunidades mantêm vivas suas culturas, suas práticas religiosas, suas músicas, suas celebrações e seus saberes, transmitidos de geração em geração.

O fenômeno não se limita ao Brasil. Comunidades afrodescendentes semelhantes existem na Colômbia, Equador, Venezuela, Peru, Suriname, Honduras e Nicarágua, entre outros países, e compartilham a mesma luta por suas terras e sua identidade cultural.

É nesse contexto que surge o projeto fotográfico Terras de Preto, concebido na década de 1990 por Ricardo Teles. Ao longo de nove anos, o autor visitou e documentou comunidades em São Paulo, Goiás, Bahia, Pernambuco, Maranhão e Pará. Sua proposta foi tão simples quanto poderosa: dar rosto e voz a comunidades negras rurais que, após séculos de invisibilidade, começavam a obter reconhecimento legal e político.

As 40 imagens reunidas nesta exposição mostram muito mais do que cenas do cotidiano. São testemunhos da dignidade, da resistência e da esperança de comunidades que constroem sua vida coletiva a partir da terra, da memória e da cultura.

Esta exposição não é apenas um percurso por um projeto fotográfico; é também uma oportunidade de reconhecer a riqueza cultural e a importância histórica dos quilombos, protagonistas silenciosos e essenciais na construção do Brasil contemporâneo.

Conheça o fotógrafo

Fotografia de Paulo Vitale.

Nascido em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul (Brasil), Ricardo Teles vive e trabalha em São Paulo desde 1994, atuando nas áreas de documentação e fotojornalismo. Entre 1994 e 2002 foi fotógrafo independente do Grupo Estado e, ao longo de sua carreira, colaborou com diversas revistas nacionais, como Terra, Caras e National Geographic Brasil. Para esta última recebeu, em três ocasiões, o prêmio Best Edit como melhor reportagem internacional do mês (2013, 2015 e 2018). Também publicou em revistas estrangeiras por meio da agência alemã Focus, realizando reportagens em diferentes países da América Latina. Atualmente, além de dar continuidade a seus projetos autorais, atua no mercado institucional e corporativo.

Entre os reconhecimentos que recebeu destacam-se o Prêmio Militão de Fotografia da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo (2022), o primeiro lugar na categoria Esporte do Sony World Photography Award (2022) e na categoria Viagem do mesmo prêmio (2016), concedido pela World Photography Organisation. Foi ainda finalista em duas edições do Global Peace Photo Award, promovido pelo Parlamento austríaco em parceria com a Unesco (2016 e 2022).

Participou de inúmeras exposições, individuais e coletivas, em diferentes continentes. Entre elas, Encantados, realizada na Espanha com o apoio da Embaixada do Brasil durante o Festival Internacional de Fotografia Latitudes, em Huelva (2018), no Centro Cultural Matadero, em Madri, na Casa Golferichs, em Barcelona (2017), e no Palacio Quintanar, em Segóvia, durante o Festival Hay (2018).

Para mais informações, visite a página de Ricardo Teles e ouça o podcast da entrevista que concedeu ao programa BMQS.

 

Fecha y hora

07/10/2025 12:00 am

Fecha de inicio

07/10/2025

Fecha de fin

21/11/2025

Compartir

Relacionado:

O professor Pablo Ibáñez, da Universidade de Sevilha, aborda nesta conferência as estratégias de resistência e negociação das populações indígenas durante o processo de
O professor Mário Higa nos revela, neste encontro, por que o ano de 1958 constituiu um marco decisivo na história da cultura brasileira.
O fotógrafo brasileiro Genilson Araújo assina a nova mostra dedicada às favelas do Rio de Janeiro vistas do alto.
Um encontro dedicado à reflexão sobre a produção intelectual e artística negra e o seu papel na construção de práticas emancipatórias, críticas e transformadoras.
Um curta-metragem, dirigido por Paula Higa, que une coreografia, música, cinema e poesia.
Anterior
Próximo