No próximo dia 21 de outubro, às 9h30, o Centro de Estudios Brasileños da Universidad de Salamanca inaugura, no Palacio de Maldonado (Plaza de San Benito, 1), a exposição Teatro Amazonas: concepção de um monumento, com curadoria de Márcio Pascua, professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A mostra faz parte do IX Simposio de Música Iberoamericana. «Música escénica en España y Brasil: siglos XVIII al XX», realizado em colaboração com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA, Brasil) e o Departamento de Didáctica de la Expresión Musical, Plástica y Corporal da Universidad de Salamanca.
A exposição poderá ser visitada até 4 de novembro, no Palacio de Maldonado. A entrada é gratuita.
Teatro Amazonas: a construção de um símbolo

Considerado um dos grandes emblemas da cidade de Manaus, o Teatro Amazonas é muito mais do que um espaço dedicado às artes cênicas. Sua fachada característica e sua cúpula tornaram-se elementos estreitamente associados à identidade visual da capital amazonense, tanto no Brasil quanto no exterior.
Sua história remonta às últimas décadas do século XIX, quando Manaus passava por uma rápida transformação impulsionada pela economia da borracha. No início da década de 1880, uma cidade de apenas 30 mil habitantes já recebia regularmente companhias artísticas nacionais e estrangeiras.
Nesse contexto, surgiu o projeto de construir um grande teatro público que respondesse às aspirações culturais e sociais de uma cidade em plena expansão. O projeto começou a tomar forma em 1881, e as primeiras plantas do edifício datam de 1882. Após diferentes interrupções devido às dificuldades econômicas e políticas enfrentadas pelo Brasil no final do período imperial, as obras foram retomadas durante o período republicano, sob o impulso do governador Eduardo Gonçalves Ribeiro. Naqueles anos, o cenógrafo e pintor pernambucano Crispim do Amaral passou a integrar o projeto, tornando-se responsável por grande parte de sua decoração externa e interna. O Teatro Amazonas finalmente abriu suas portas em 1896.
Arquitetura, música e artes cênicas
O edifício constitui um destacado exemplo do ecletismo arquitetônico do século XIX, no qual convergem referências que vão desde a Antiguidade Clássica e o Renascimento até o Maneirismo, o Barroco e elementos da Art Nouveau. Sua dimensão musical também está presente na própria decoração da sala de espetáculos, dedicada à glorificação do compositor brasileiro Carlos Gomes, falecido justamente em 1896, no mesmo ano da inauguração do teatro.
O atual Salão Nobre, decorado pelo artista italiano Domenico de Angelis, também possui especial importância. Entre suas pinturas, destaca-se uma cena da ópera Il Guarany, de Carlos Gomes, enquanto o teto apresenta uma grande composição dedicada à glorificação das artes e das ciências sobre a Amazônia.
Por meio desse percurso, Teatro Amazonas: concepção de um monumento convida o público a descobrir como a criação do teatro transcendeu a construção de um espaço de sociabilidade e entretenimento para se tornar um monumento de representação cultural, testemunho de um momento fundamental da história econômica, social e artística de Manaus, cuja importância ultrapassa as fronteiras do Amazonas e do Brasil.




