O Centro de Estudos Brasileiros inaugura as atividades do Seminário Permanente de Culturas e Povos Indígenas do ano acadêmico 2026-2027 com uma mesa-redonda dedicada às realidades indígenas da fronteira amazônica entre Brasil e Colômbia.
Na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, das 12h às 14h (horário da Espanha), o Centro de Estudos Brasileiros (CEB) da Universidade de Salamanca realiza a mesa-redonda «Territórios que ultrapassam fronteiras: povos indígenas, segurança, gênero e memória entre Brasil e Colômbia», primeira atividade do Seminário Permanente de Culturas e Povos Indígenas no ano acadêmico 2026-2027.
O encontro será realizado no auditório do CEB (Palácio de Maldonado, Plaza de San Benito, 1, Salamanca), com entrada gratuita, sujeita à lotação do espaço. A atividade também será transmitida ao vivo pelo canal do CEB no YouTube e pelas redes sociais institucionais.
Sobre o encontro

As fronteiras políticas entre Brasil e Colômbia atravessam territórios indígenas cujas histórias, relações sociais e formas de organização são anteriores à delimitação dos Estados nacionais. Longe de constituírem apenas linhas de separação, esses espaços fronteiriços são cenários de mobilidade, intercâmbio cultural, vínculos de parentesco e reivindicações territoriais, mas também de conflitos, violência e perseguição política.
A partir dessa perspectiva, a mesa-redonda propõe uma reflexão sobre as experiências dos povos indígenas da Amazônia fronteiriça, com especial atenção às relações entre território, segurança, gênero, memória e autonomia.
A conversa abordará as políticas de segurança e proteção territorial, as formas indígenas de organização e resistência e os desafios decorrentes das mudanças políticas e dos recentes processos eleitorais no Brasil e na Colômbia. O objetivo é analisar como essas transformações afetam os direitos e a autonomia das comunidades indígenas, incorporando suas próprias experiências e perspectivas.
Com uma abordagem interdisciplinar que reúne História, Relações Internacionais, Antropologia e estudos de gênero, o encontro também examinará o papel das mulheres indígenas na preservação da memória coletiva, na transmissão de conhecimentos e nos processos de revitalização cultural.
A atividade busca promover o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e formas de saber, reconhecendo os povos indígenas como protagonistas de seus processos históricos, sujeitos políticos e produtores de conhecimento, e não apenas como objetos de estudo.
Participantes
Doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (UNESP/UNICAMP/PUC-SP, Brasil), com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Atualmente, realiza um estágio de pesquisa no Instituto de Iberoamérica da Universidade de Salamanca.
É mestre em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo (USP). Sua pesquisa se concentra nas relações entre segurança, soberania e autonomia indígena nas fronteiras amazônicas, com especial atenção à governança territorial e às formas indígenas de proteção e diplomacia. Sua participação abordará os limites das perspectivas centradas exclusivamente nos Estados para compreender as dinâmicas de segurança e soberania nesses territórios.
Pesquisadora indígena do povo Uitoto, originária de La Chorrera (Amazonas, Colômbia), e doutoranda em Ciências Sociais, na área de Antropologia, pela Universidade de Salamanca. É advogada e mestre em Democracia e Bom Governo.
Possui experiência de trabalho com comunidades indígenas em iniciativas de fortalecimento cultural, memória, identidade e participação comunitária. Sua pesquisa analisa o papel das mulheres Uitoto na preservação e resistência cultural diante da violência histórica da exploração da borracha e das missões religiosas na Amazônia colombiana.
Sua participação dará especial atenção à memória familiar, à oralidade, aos rituais, à criação dos filhos e à transmissão intergeracional de conhecimentos, assim como ao protagonismo feminino nos atuais processos de revitalização cultural e liderança comunitária.
Professor do Departamento de História Medieval, Moderna e Contemporânea da Universidade de Salamanca, onde ministra disciplinas de graduação e pós-graduação sobre História da América, povos indígenas e história ambiental. É pesquisador do Instituto de Iberoamérica e coordenador do Seminário Permanente de Culturas e Povos Indígenas do CEB.
Graduado em História pela Universidade de Cádiz e mestre em Estudos Americanos pela Universidade de Sevilha, desenvolveu sua pesquisa de doutorado na Universidade Federal da Bahia, em regime de cotutela com a Universidade Pablo de Olavide. Ao longo de sua trajetória, realizou atividades de pesquisa em diferentes instituições espanholas, portuguesas e latino-americanas.
Como mediador, contribuirá com uma perspectiva histórica sobre as políticas indigenistas, a construção das fronteiras e as transformações dos territórios indígenas.
Sobre o Seminário Permanente de Culturas e Povos Indígenas
O Seminario Permanente de Culturas y Pueblos Indígenas
é uma iniciativa do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca que teve início no ano acadêmico 2023-2024, com o objetivo de promover a pesquisa, a reflexão e o diálogo intercultural sobre a história, as culturas e as realidades contemporâneas dos povos indígenas do Brasil.
Por meio de conferências, encontros e atividades acadêmicas, o seminário reúne especialistas de diferentes áreas do conhecimento e representantes de comunidades indígenas para discutir questões relacionadas aos processos de colonização e resistência, aos direitos territoriais, às políticas indigenistas, à memória, à identidade e aos desafios contemporâneos dos povos originários.
Coordenado pelo professor Carlos Benítez Trinidad, o seminário busca fortalecer o diálogo entre a pesquisa universitária e os conhecimentos dos próprios povos indígenas, reconhecendo seu protagonismo na construção de novas interpretações sobre a história e as sociedades latino-americanas.
A programação e as atividades anteriores estão disponíveis na página do Seminário Permanente de Culturas e Povos Indígenas.
O cartaz da atividade está disponível para download aqui.