#LibroDelMes

Neste mês de outubro, recomendamos o livro Vidas secas, de Graciliano Ramos.

Neste mês de outubro, a Biblioteca do CEB apresenta como #LivroDoMês uma das obras mais emblemáticas da literatura brasileira do século XX: Vidas secas, do escritor Graciliano Ramos. O romance faz parte da coleção Biblioteca básica de literatura brasileira, doada recentemente pela Embaixada do Brasil na Espanha, com o propósito de aproximar do público leitor alguns dos títulos fundamentais da cultura literária do país.

Um retrato profundo do sertão e da condição humana

Publicado originalmente em 1938, Vidas secas é uma das narrativas mais poderosas e comoventes da literatura brasileira. Ambientado no sertão — a região árida do Nordeste do Brasil —, o livro conta a história de Fabiano, de sua esposa Sinhá Vitória, de seus dois filhos e da cadela Baleia, que atravessam uma paisagem hostil marcada pela seca, pela fome e pela pobreza.

Por meio de uma prosa precisa e contida, Graciliano Ramos descreve o esforço constante dessa família para sobreviver, sua luta silenciosa contra a miséria e a esperança que os mantém em movimento. Embora as palavras sejam poucas, o silêncio e os pensamentos não ditos das personagens transmitem uma profunda humanidade.

O romance é composto por treze capítulos breves que podem ser lidos como contos independentes, mas que, juntos, constroem um retrato coerente e doloroso da vida no sertão. O olhar do autor vai além do realismo regional: Vidas secas é uma reflexão sobre a dignidade, a injustiça social e a fragilidade da existência humana.

Considerada uma obra-prima do regionalismo nordestino, Vidas secas também se destaca por seu estilo conciso, sua estrutura fragmentada e seu tratamento psicológico das personagens — elementos que antecipam formas narrativas modernas e universais.

Graciliano Ramos: a força da palavra exata

Graciliano Ramos nasceu em 27 de outubro de 1892, em Quebrangulo, no estado de Alagoas, e faleceu em 20 de março de 1953, na cidade do Rio de Janeiro. É um dos autores mais importantes da narrativa brasileira do século XX, reconhecido por sua linguagem precisa e por sua profunda observação da condição humana.

Antes de se dedicar plenamente à literatura, trabalhou como jornalista e foi prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, cargo que o aproximou das realidades sociais do Nordeste brasileiro e que influenciou decisivamente sua obra. Em 1936, foi preso sem acusação formal durante a ditadura de Getúlio Vargas, experiência que relatou em seu livro de memórias Memórias do cárcere.

Entre suas principais obras estão São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vidas secas (1938), todas marcadas pela exploração psicológica, pelo rigor narrativo e por uma sensibilidade crítica diante das desigualdades sociais de seu tempo.

Graciliano Ramos é lembrado como um mestre da palavra justa: cada frase em sua prosa parece talhada com precisão, a serviço de uma verdade literária e moral. Sua obra continua sendo lida e estudada dentro e fora do Brasil, tanto por seu valor estético quanto por seu compromisso com a realidade humana.

📚 Vidas secas, de Graciliano Ramos, integra a coleção Biblioteca básica de literatura brasileira e está disponível para empréstimo e consulta na Biblioteca do CEB (CEB/5700).

Referências:

Adler Pereira, V. H. (2018). Eurídice: José Lins do Rego e o romance moderno. Nélida Piñon en la República de los sueños. Actas del I Congreso Internacional de Literatura Brasileña. Salamanca, Centro de Estudios Brasileños. Recuperado de enlace.

Bier, F. (2018). O sertão como perspectiva: considerações sobre os limites da tradição brasileira. Nélida Piñon en la República de los sueños. Actas del I Congreso Internacional de Literatura Brasileña. Salamanca, Centro de Estudios Brasileños. Recuperado de enlace.

Cunha da Silva, H. P. da (2018). A crítica inicial de Vidas secas e o não direito de pensar. Nélida Piñon en la República de los sueños. Actas del I Congreso Internacional de Literatura Brasileña. Salamanca, Centro de Estudios Brasileños. Recuperado de enlace.

Graciliano Ramos. (2025, setembro 4). Wikipédia, a enciclopédia livre. Recuperado el 4 de septiembre de 2025, de enlace.

Ojeda de Souza, L. N. (2020). Cinema e literatura brasileira: fome de quê? Ana Maria Machado e o compromiso literario. Actas del II Congreso Internacional de Literatura Brasileña. Salamanca, Centro de Estudios Brasileños. Recuperado de enlace.

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