O grupo se formou em Brasília em 1987, por iniciativa de dois rapazes que compartilhavam o mesmo bairro: Digão, na bateria e Rodolfo Abrantes na guitarra, a quem se juntou pouco depois o baixista Canisso. Influenciados por grupos como Dead Kennedys, Suicidal Tendencies e, sobretodo, Os Ramones, dos quais tomaram o nome, incorporaram também contribuições da cultura nordestina, especialmente do compositor de forró Zenilton. Em 1994, lançaram o primeiro disco Raimundos com a fonográfica Banguela dos Titãs. O álbum teve boa aceitação (vendeu mais de 150 mil cópias) e suas músicas com letras cheias de palavrões e fortes influências nordestinas chamou a atenção do público e das rádios com músicas como “Puteiro em João Pessoa”, “Nega Jurema” e “Selim”. O segundo trabalho Lavô tá novo, lançado pela Warner e mais centrado no hardcore, vendeu aproximadamente 400 mil cópias e serviu para consolidar sua carreira. Em 1997, aterrizaram em Los Ángeles para gravar Lapadas do povo um álbum com uma sonoridade mais pesada, sem influências nordestinas e com umas letras de cunho social, como “Baile Funky”, que critica a igreja por exigir um “dízimo” para salvar a alma e que também denúncia a corrupção política. O disco inclui uma versão de “Oliver’s army” do britânico Elvis Costello, gravada originalmente em 1978 e uma versão em português de “Ramona” dos Ramones, intitulada “Pequena Raimunda”.
Em 1999, os Raimundos apresentam Só no forévis, o disco mais vendido da banda. Neste trabalho voltam às raízes musicais, com letras maliciosas e satíricas, e com sucessos que tocavam nas rádios de todo o país como “A mais pedida”, “Aquela” e “Me lambe”, que contou com a participação do Bi Ribeiro, o baixista dos Paralamas do Sucesso.
A princípios de 2001, Rodolfo Abrantes e sua mulher se tornaram evangélicos e o músico decidiu abandonar o grupo para viver de acordo com a sua nova fé. O resto da banda continuou e lançou um novo disco, com o pertinente nome Éramos quatro. O repertório do álbum estava basicamente formado por covers dos Ramones, interpretados num show com motivo do aniversário da emissora de rádio paulista 89 FM, e contou com a participação de Marky Ramone, ex-bateria do grupo.
Em 2002, nossos protagonistas lançaram o primeiro álbum com músicas inéditas desde a saída de Rodolfo, Kavookavala, com Digão assumindo o papel de vocalista principal. O disco, que conta com a colaboração de Derrick Green, da banda Sepultura e do funkeiro Mr. Catra na canção “Pegamutukala”, foi ignorado pela discográfica e teve números de vendas inexpressivos. Além disso, durante a turnê promocional, Canisso pulou fora do barco e deixou o grupo sem baixista. A crise estava instaurada. Os anos seguintes estiveram marcados por idas e vindas, o fim do seu contrato com a Warner e disputas internas que mantiveram os Raimundos afastados dos focos e da atenção do público. Em 2014, lançaram o primeiro disco com músicas inéditas em 12 anos, Cantigas de roda, produzido com a ajuda de Billy Graziadei, líder de Biohazard e totalmente financiado através de crowdfunding. O disco, de sonoridade densa e pesada, conta com várias colaborações: Frango da banda Galinha Preta, grupo revelação do hardcore brasiliense, Sen Dog de Cypress Hill, e a participação do próprio Billy Graziadei na última pista, intitulada “Politics”.
Os Raimundos são um claro exemplo de que é possível ressurgir das cinzas, inclusive quando tudo parece perdido. Sem mais, no ano passado foram convidados para apresentar o festival Rock in Rio, compartilhando cenário com a banda CPM 22, e transformando-se em um dos shows estrela da segunda noite do festival.
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