BioBrasil: entrevista a Peter LaRubia

Conversamos com o autor de "F.U.R.I.A Ciberpunk" sobre literatura, ficção científica e visões de um futuro incerto.

Com este programa continuamos a série dedicada à literatura de ficção científica brasileira, e para tal conversamos com Peter LaRubia, uma das grandes promessas do gênero. Nascido no Rio de Janeiro, ex-membro de bandas de rock como Nabuco on the Roxy e Barbarella Inc., o seu entusiasmo e sua paixão são contagiantes.

Peter nos conta que o seu nombre é uma homenagem do seu pai ao ator Peter Fonda e nos confessa que o seu sobrenome tem de origem espanhola: a sua família emigrou de Málaga ao Brasil no final do século XIX, durante a emigração massiva à América Latina. Formado em Psicología, ainda que nunca tenha exercido a profissão, é licenciado em Letras – Literatura, como não podia ser de outra forma.

Trajetória profissional

Até agora publicou dois romances: A terra do nunca (Editora Dimensões Ficção), que está disponível gratuitamente na internet, e F.U.R.I.A Ciberpunk (Editora Luva, 2019). Este último título narra a história de três jovensde uma banda punk que entram na sede do governo do estado do Rio de Janeiro e roubam a maleta de um deputado estadual corrupto (cargo equivalente a um deputado autonômico na Espanha). A partir daí, as três jovens se veem obrigadas a escapar por toda a cidade, fugindo da milícia e dos capangas do deputado, e como se isso não fosse suficiente Peter dá à história outro giro inesperado. A corrente com a qual uma delas se atou a maleta ao pulso está fabricada com um material que desconhecem e que não podem abrir de forma alguma… e no fundo da maleta há um relógio com contagem regressiva de 11 horas, e não sabem que o que vai acontecer quando o contador chegue a 0. O livro está esgotado, mas Peter conserva alguns exemplares, que estão à venda com direito a autógrafo do autor! Quem tiver interessem em adquirir um exemplar, entre em contato com o autor através do Facebook ou Instagram.

Finalmente, Peter nos dá uma exclusiva e anuncia que tem um livro de contos quase pronto para ser publicado. Intitula-se Histórias desaconselhadas para pessoas saudáveis, e só pelo título já dá uma vontade enorme de começar a ler.

O que é necessário saber sobre ficção científica brasileira

Pedimos a Peter uma visão panorâmica da produção literária de ficção científica no Brasil. O autor começa destacando o trabalho de duas editoras: a Luva e, claro, a nossa conhecida Editorial Drako. Ambas estão especializadas em ficção científica e fantasia e publicam muitos dos grandes nomes do gênero, assim como a autores independentes ou em início de carreira. Se você não sabe por onde comecar a ler ficção científica brasileira, recomendamos mergulhar no trabalho de Jonh Pessanha ou Fábio Fernandes que, além de escritor, é tradutor e responsável pelas versões em português de todos os grandes clássicos de ficção científica. Já no âmbito da “magia e espada” ou fantasia épica, Peter destaca Antônio de Vasconcelos e o seu livro A Queda de Tragodath e Priscilla Matsumoto com o romance O infinito no meio. Não obstante, o seu escritor favorito é, sem dúvida, Cirilo S. Lemos autor de duas obras que considera absolutamente incontornáveis: O alienado e E. de exterminio.

O futuro por diante

Para terminar a entrevista, preguntamos a Peter pelos seus projetos futuros. Nestes momento, o autor tem dois trabalhos em andamento. Na verdade, há um ano vinha se dedicando a um deles, quando há duas semanas teve um ideia, que desde então não lhe deixa em paz. Em poucos dias já tinha montada a história toda e por isso está fazendo o que nenhum escritor deve fazer: trabalhar em dois projetos ao mesmo tempo.

P primeiro é uma mistura de The voice ciberpuk e Battle Royale, um mundo futurista onde os grupos de música devem competir entre si numa batalha sangrenta para ver quiem consegue o tam almejado contrato que lhes abrirá as portas do céu. E no segundo, sobre o qual revela somente pequenos detalhes, é sobre como a própria humanidade está se tornando obsoleta, a partir do momento en que as máquinas são capazes de fazer qualquer coisa: inclusive criar arte, algo que parecia exclusivamente coisa do ser humano.

E fechar com chave de ouro, Peter termina com uma interessante reflexãi: a ficção científica é importante como gênero porque não fala de outros mundos ou outras formas de vida, mas porque fala do nosso mundo, dos homemns e mulheres que aqui vivem, mas a partir de outra perspectiva, que nos permite entender melhor quiem somos e porquê fazemos o que fazemos.

Foi uma enorme satisfação conversar com Peter LaRubia em Rádio Universidad. É maravilhoso saber que, apesar das dificuldades, continua se fazendo boa literatura no Brasil.

Nelson Cavaquinho, “Juízio Final”

Referências:

Portal rock press: https://portalrockpress.com.br/furiaciberpunk

Facebook de Peter LaRubia: https://www.facebook.com/peter.larubia
Instagram de Peter LaRubia: https://www.instagram.com/peter_larubia/

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