BioBrasil: entrevista a Bruno Ayllón

Falamos com um dos maiores especialistas em nosso país sobre as relações entre a Espanha e o Brasil.

Para terminar o trimestre, antes das férias, temos um convidado especial. Trata-se de um pesquisador que colaborou em diversas ocasiões com o CEB, e um dos maiores especialistas em nosso país sobre as relações entre o Brasil e a Espanha: Bruno Ayllón.

Breve revisão das relações hispano-brasileiras

Como não podia ser de outra maneira, começamos perguntando pelas relações entre a Espanha e o Brasil. Para muitos são uma novidade, algo recente, porém ambos os países mantêm uma relação de longa data, desde o século XIX. Partindo de um certo distanciamento inicial, resultado da demora do reconhecimento da independência do Brasil por parte da Espanha (para não dar ideias às próprias colonias!), ambos os países começaram a se aproximar pouco a pouco. A emigração de espanhóis aos cafezais paulistas, a forte repercussão da Guerra Civil, o interesse mútuo pelas políticas desenvolvimentistas, são alguns dos fatos mencionados por Bruno Ayllón.

O pnto de inflexão se produz nos anos 1970, com o retorno da democracia na España e o início do processo de abertura política no Brasil. O motivo que impulsionou o deslanchar das relações bilaterales foi, não obstante, o processo de privatização das empresas públicas brasileiras iniciado por Fernando Henrique Cardoso nos anos 1990. Ao mesmo tempo, as empresas espanholas, mais tardiamente privatizadas, começam a ver na América Latina o lugar ideal para sua internacionalização. A economia, neste caso, abre a porta para a política, e dá lugar varios tipos de acordos e colaborações nos âmbitos cultural e educativo. Foi assim que chegamos à associação estratégica entre a Espanha e o Brasil assinada pelo governo de Lula e o governo de Aznar. Com a chegada de Bolsonaro ao poder e a grave crise econômica se produz um esfriamento das relações bilaterais, que a pandemia de Covid-19 só fez piorar.

Chaves para entender o Brasil

Como dizia Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes, e Bruno Ayllón reafirma a sentença. É um país complexo e contraditório, marcado por uma profunda desigualdade, sobre a qual foram escritos rios de tinta. Para tentar comprendê-lo, temos que considerar a sua diversidade e ser conscientes de que existem muitos Brasis. A arte, a literatura, a televisão… são fundamentais para entender o país e, claro, aprender português!

Antes da despedida, pedimos ao nosso convidado que recomendasse uma música. A seleção de Bruno Ayllón é uma ótima pedida: “Fado tropical”, de Chico Buarque e Rui Guerra, na versão do cantor português Carlos do Carmo. A história dessa música é fantástica e Bruno Ayllón a explica muito bem. Confira!

Mini Bio:

Bruno Ayllón é doutor em Ciência Política e Estudos Internacionais pela Universidade Complutense de Madri, e especialista em Integração Regional pela Universidade de São Paulo. além disso, é integrante do grupo de pesquisa BRASILHIS da Universidade de Salamanca, e atualmente, é pesquisador do Instituto Universitário de Desenvolvimento e Cooperação da UCM e consultor independente sobre o Brasil e cooperação internacional.

Referências:

Bruno Ayllón Pino: Las relaciones hispano-brasileñas: de la mutua irrelevancia a la asociación estratégica (1945-2005), EUSAL: 2007. https://www.eusal.es/index.php/eusal/catalog/book/978-84-7800-390-7

Entrevista a Bruno Ayllón na TVE (21/09/2012): https://www.rtve.es/alacarta/videos/para-todos-la-2/para-todos-2-entrevista-bruno-ayllon-pino-experto-brasil/1532776/

Adriana Florent: “Um suave azulejo: o retrato ambivalente da nação em ‘Fado tropical’ de Chico Buarque”, Literaturas, Artes, Saberes, USP: 2007. https://abralic.org.br/eventos/cong2008/AnaisOnline/simposios/pdf/complemento/ADRIANA_FLORENT.pdf

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